dezembro 31, 2007

2008

Beijos quentinhos para todos aqueles que amo e em quem estarei a pensar quando soar a meia-noite. Obrigada por terem feito parte da minha vida, por continuarem a estar comigo e desejo que no próximo ano, continue a merecer a vossa amizade e o vosso amor. Cá estarei sempre.

dezembro 30, 2007

No one

Acabei o ano com esta música e ou muito me engano ou vou começar 2008 a cantá-la..Adoro!

dezembro 17, 2007


"...So every time you hold me

Hold me like this is the last time

Every time you kiss me

Kiss me like you'll never see me again

Every time you touch me

Touch me like this is the last time

Promise that you'll love me

Love me like you'll never see me again..."



Alicia Keys

dezembro 13, 2007

Ele há coisas a acabar
Mas há tantas a começar
Ficar atento
Saber usar
Saber dar tempo
Tempo que não há p'ra dar
Ter ideias e sentir
Estar atento ao que vai vir
Se não perder a esperança
se souber aguentar
Se não perder
Serei eu capaz de dar
Só sei que amar é querer-me a mim
E querer-me a mim dá-me o poder
De inventar, de conseguir
Atravessar um grande rio
Entre o voltar e o partir
Estranha vontade de amar.
Xutos e Pontapés
Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade
em nada se dizer
E tudo se entender
- Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.
Fernando Pessoa

dezembro 12, 2007

Peço desculpa aos mais sensíveis mas não consegui resistir...Uma pérolazinha que encontrei.As lágrimas vieram-me aos olhos..Para ouvir com atenção e parar para pensar um pouco sobre esta letra.. ; p

dezembro 11, 2007

O Natal passado ; )

Oh pah pronto..Mais uma, não resisto. e ainda por cima tem tudo a ver com a época. Ainda a sei de cor, todinha ; p

dezembro 06, 2007

"Como o sangue, corremos dentro dos corpos no momento em que abismos os puxam e devoram. Atravessamos cada ramo das árvores interiores que crescem do peito e se estendem pelos braços, pelas pernas, pelos olhares. As raízes agarram-se ao coração e nós cobrimos cada dedo fino dessas raízes que se fecham e apertam e esmagam essa pedra de fogo. Como sangue, somos lágrimas. Como sangue, existimos dentro dos gestos. As palavras são, tantas vezes, feitas daquilo que significamos. E somos o vento, os caminhos do vento sobre os rostos. O vento dentro da escuridão como o único objecto que pode ser tocado. Debaixo da pele, envolvemos as memórias, as ideias, a esperança e o desencanto."

José Luís Peixoto

novembro 29, 2007

Eu tchi amo e vou gritá prá todo mundo ouviiiiii!



Ui,o que eu cantava esta música...loool Acho que era de uma novela qualquer, do tempo da Maria Cachucha...E as saudades de ouvir a minha Sílvia a cantar isto, sentadinha no sofá da nossa gélida casita em Évora. Como diz um amigo meu "Lá estás tu com as recordações! És tão velhinha, tão velhinha..." Pois sou, admito que sim, adoro recordar coisas boas do passado. E esta é mais uma, coisas simples que de vez em quando me vêm à memória...E quando me lembro destas pequenas coisas, fico com o coração mais quentinho...

novembro 28, 2007

Se depois de eu morrer,
quiserem escrever a minha biografia,
Nao há nada mais simples.
Tem so duas datas
- a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias sao meus.
Fernando Pessoa

novembro 27, 2007

No mar que navego
Na voz que oiço,
No corpo que possuo
No tempo que passa
Só tu, tens o saber da vida,
O sentido das emoções
O instintivo talento do amor,
O toque imprevisível
Que torna um prazer eterno.
Só tu, com os teus expressivos olhos
O sussurrar do coração entre os dedos
Conheces do amor os segredos
E assim fascinas, assim cativas.

Autor Desconhecido

novembro 26, 2007


Se passares pelo adro

No dia do meu enterro

Diz à terra, que não coma

Os anéis do meu cabelo

Já não digo que viesses

Cobrir de rosas meu rosto

Ou que num choro dissesses

A qualquer do teu desgosto

Nem te lembro que beijasses

Meu corpo delgado e belo

Mas que sempre me guardasses

Os anéis do meu cabelo.


Mariza

novembro 22, 2007



Vivo na esperança de um gesto

Que hás-de fazer.

Gesto, claro, é maneira de dizer,

Pois o que importa é o resto

Que esse gesto tem de ter.

Tem de ter sinceridade

Sem parecer premeditado;

E tem que ser convincente,

Mas de maneira diferente

Do discurso preparado.

Sem me alargar, não resisto

À tentação de dizer

Que o gesto não é só isto...

Quando tu, em confusão,

Sabendo que estou á espera

Me mostras que só hesitas

Por não saber começar,

Que tentações de falar!

Porque enfim, como adivinhas,

Esse gesto eu sei qual é,

Mas se o disser, já não é...

Reinaldo Ferreira

novembro 21, 2007


Seja você mesmo. Todos os outros já existem.
Oscar Wilde

novembro 20, 2007


Quando me sinto só,

Como tu me deixaste,

Mais só que um vagabundo

Num banco de jardim

É quando tenho dó,

De mim e por contraste

Eu tenho ódio ao mundo

Que nos separa assim.


Quando me sinto só

Sabe-me a boca a fado

Lamento de quem chora

A sua triste mágoa

Rastejando no pó

Meu coração cansado

Lembra uma velha nora

Morrendo à sede de água.


P'ra que não façam pouco

Procuro não gritar

A quem pergunta minto

Não quero que tenham dó

Num egoísmo louco

Eu chego a desejar

Que sintas o que sinto

Quando me sinto só.


Mariza

novembro 17, 2007

Não só quem nos odeia ou nos inveja

Nos limita e oprime; quem nos ama

Não menos nos limita.

Que os deuses me concedam que, despido


De afetos, tenha a fria liberdade

Dos píncaros sem nada.

Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada

É livre; quem não tem, e não deseja,

Homem, é igual aos deuses.

Ricardo Reis

novembro 15, 2007


Se tanto me dói que as coisas passem

É porque cada instante em mim foi vivo

Na busca de um bem definitivo

Em que as coisas de Amor se eternizassem


Sophia de Mello Breyner Andresen

novembro 12, 2007

Verdade, verdadinha..

"Nunca respondo a provocações idiotas. O meu pai sempre me disse: ‘nunca te atires à lama a lutar com um porco – primeiro, porque te sujas; segundo, porque é disso que o porco gosta."

Walter Winchell

novembro 10, 2007

Silvia e catarina...


Hoje, dia em que me sinto especialmente nostálgica, decidi reler alguns dos comentários que foram feitos aos meus posts. Por isso, decidi dar uns miminhos a duas pessoas, muito especiais na minha vida..



“Se tu morresses amanhã, dir-te-ia: que a vida só faz sentido porque nos temos uns aos outros, os amigos que felizmente nos acompanham e preenchem todos os vazios, todos os momentos bons e maus, que nos completam e nos amparam... sempre; dir-te-ia que sou feliz porque te tenho e te conheço, porque fazes parte da minha vida; dir-te-ia que a verdadeira amizade prevalece a tudo, até à própria morte amiga; dir-te-ia que o mundo sem ti faria menos sentido... dir-te-ia, aliás digo-te que não morreste, acabaste de acordar... a vida é isso mesmo dormir e acordar e obviamente voltar a viver! É tropeçar, cair e levantar, é cruel mas doce ao mesmo tempo, é um vazio pleno de emoções e sentimentos, é chorar e rir... é sorrir e soluçar; é trabalhar e brincar, é seduzir e amar, é sofrer e chorar; é toda uma junção de sentimentos, experiências, passagens e momentos... é a vida!Adoro-te e sei que vais ser feliz... Beijo”



“Se tu morresses amanha, hoje, pedia-te desculpa...Desculpa por não ter conseguido ser melhor amiga... por não ter conseguido abraçar-te nos momentos maus, por não ter rido o suficiente nos bons momentos... e depois levava-te para os copos, e no inicio da manha, fazia umas migas de pão com tomate para acalmar o estomago! ;)Beijo grande desta sempre tua:Sopeira



Catarina e Sílvia, quero que saibam que desejo que...



Tudo aquilo que ambicionam se concretize. Que todos os vossos sonhos se tornem realidade. Que todas as pessoas que vocês amam, estejam sempre do vosso lado.Que sempre que as lágrimas cairem, lá esteja alguém para enxugá-las.Que sempre que se sentirem sózinhas, sintam e saibam que estarei sempre do vosso lado. Que nunca tenham vergonha de me pedir ajuda. Que apesar das distâncias, farão sempre parte da minha vida.Que recordo e recordarei sempre com carinho todos os momentos que passámos juntas, os bons mas também os maus. Que me sinto muito afortunada por vos ter conhecido e muito orgulhosa por poder chamar-vos de amigas.Que vos agradeço a paciência e o carinho com que me aturaram e aturam...




Silvia, sei que muitas vezes me quiseste abraçar mas nunca o conseguiste.Muitas vezes precisei do teu abraço mas acredita que só a tua presença já me dava todo o conforto e apoio, em alturas más pelas quais passei..Compreendo-te e respeito-te, admiro-te muito.És uma pessoa incrível, sincera, bruta que nem portas, com um mau feitio do caraças e por tudo isso...Obrigada por teres entrado na minha vida! ; p



Cati, um doce de amiga, também com algum mau feitio e por isso mesmo uma amiga do car******! Sincera, frontal, sofre muitas vezes em silêncio mas está sempre de sorriso nos lábios para todos. Mas nós sabemos como é, né amiga?; ) Soube, no instante em que nos conhecemos que tudo iria ser como é neste momento. Há pessoas assim, entram nas nossas vidas e depois nunca mais saem, venha o que vier! Eu bem tento, mas ela não se vai embora! Lol Obrigada por fazeres parte do meu mundo!

heloooooooo!



Ai oh pah...Ainda oiço, ainda adoro.Chamem-me pindérica, cota, esclerosada, agarrada ao passado, o que quiserem.Tenho ideia de há algum tempo, enquanto lavava a louça, estar com o meu mp3, literalmente a gritar esta música, quando reparo na cara de pânico, de terror mesmo, da minha colega de casa na altura..Pobre Cláudia! O que nos rimos...Enfim..Momentos ; p

A menina perguntou:

- Como se faz para manter um amor?

- Pega num pouco de areia e fecha a mão com força.

A menina assim fez e reparou que quanto mais forte apertava a areia com a mão,

com mais velocidade a areia se escapava.

- Mas assim a areia cai!!!

- Eu sei. Agora abre completamente a mão.

A menina assim fez.

Veio o vento forte e levou consigo a areia que restava.

- Assim também não consigo mantê-la na mão!

- Agora pega outra vez num pouco de areia e mantém a mão semi aberta

como se fosse uma colher.

Suficientemente fechada para protegê-la e suficientemente aberta para lhe dar liberdade.

A menina experimentou e viu que a areia não se escapava da mão

e estava protegida do vento.

- É assim que se faz para manter um amor?

- Se queres muito alguma coisa, deixa-a livre.

Se ela voltar será tua para sempre,

se não, é porque nunca foi tua de verdade.


Autor desconhecido

novembro 09, 2007

E posto que viver me é excelente
cada vez gosto mais de menos gente.

Agostinho da Silva

novembro 07, 2007

Concordo plenamente...


Devia morrer-se de outra maneira.

Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.

Ou em nuvens.

Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol

a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos

os amigos mais íntimos com um cartão de convite

para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica

a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje

às 9 horas. Traje de passeio".

E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos

escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir

a despedida.

Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.

"Adeus! Adeus!"E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,

numa lassidão de arrancar raízes...

(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )

a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se

em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen...

como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono

ainda tocada por um vento de lábios azuis...



José Gomes Ferreira

outubro 30, 2007


"Há pequenos sons que assentam sobre o silêncio."


José Luis Peixoto

outubro 27, 2007

Resolvi andar na rua
com os olhos postos no chão.
Quem me quiser que me chame
ou que me toque com a mão.
Quando a angústia embaciar
de tédio os olhos vidrados,
olharei
para os prédios altos,
para as telhas dos telhados.
Amador sem coisa amada,
aprendiz colegial.
Sou amador da existência,
não chego a profissional.
António Gedeão

outubro 26, 2007


"Quanto mais longe, mais perto me sinto de ti, como se os teus passos estivessem aqui ao pé de mim e eu pudesse seguir-te e falar-te e dizer-te quanto te amo e como te procuro, no meio de uma destas ruas em que te vejo, zangado de saudade, no céu claro, no dia frio. Devolve-me a minha vida e o meu tempo. Diz qualquer coisa a este coração palerma que não sabe nada de nada, que julga que andas aqui perto e chama sem parar por ti."



Miguel Esteves Cardoso

outubro 25, 2007


"E nunca me aproximei tanto do teu corpo. O teu cheiro surpreendeu-me pela delicadeza e pela névoa erótica. Encostei o meu braço ao teu e comecei a transpirar. Sentia uma vontade enorme de me desmorenar em ti. Não, não era fazer amor. Fazer amor não existe, porra, o amor não se faz. O amor desaba sobre nós já feito, não o controlamos! Também não era foder, fornicar, copular - essas palavras violentas com que tentam rebentar o amor. Como se fosse possível. Apenas queria oferecer-te o meu corpo para o absorveres no teu! "
Inês Pedrosa in " Fazes-me falta"

outubro 23, 2007

Escolho os meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Têm que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não me interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero o meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo loucos.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho os meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também as suas maiores alegrias.
Amigos que não riem juntos, não sabem sofrer juntos.
Meus amigos são todos assim: metade parvoíce, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois vendo-os loucos e santos, “parvos” e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril
Autor desconhecido

outubro 20, 2007

Custa

Custa muito ver o rosto crispado
desfeito, lágrima contida convulsa,
na ponta da palavra nova e agreste
desespero de ver-se além do outro.
Custa julgar e mais julgar-se
ultrapassar o fosso da diferença
cair em si, destapar a fossa
das palavras não ditas, ocultas.
Não acusar as mágoas custa,
mas deixá-las cair mais além
morder o desespero do não feito
e guardá-lo, só para si, é muito.
Eduardo Graça

outubro 19, 2007



"Estás aqui comigo e tenho pena acredita de ser só isto
pena até mesmo de dizer que sou só isto
como se fosse também outra coisa
uma coisa para além disto que não isto
Estás aqui comigo deixa-te estar aqui comigo
é das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos
mas até nos teus gestos domésticos
tu és mais que os teus gestos domésticos
tu és em cada gesto todos os teus gestos
e neste momento eu sei
eu sinto ao certo o que significam certas palavras como a palavra paz
Deixa-te estar aqui
perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas
perdoa pagares tão alto preço por estar aqui
perdoa eu revelar que há muito pagas tão alto preço por estar aqui
prossegue nos gestos não pares
procura permanecer sempre presente
deixa docemente desvanecerem-se um por um os dias
e eu saber que aqui estás de maneira a poder dizer
sou isto é certo mas sei que tu estás aqui"
In " Tu estás aqui" Ruy Belo

outubro 16, 2007

Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar.
Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.
E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito.
E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito...
Vinicius de Moraes

outubro 11, 2007


Uma brisa ergue-se no interior da terra e chega a mim, à consciência de mim: o meu rosto, os meus lábios, o meu corpo tocado por essa brisa. Caminho por entre essa brisa a passar por mim, como se atravessasse uma multidão invisível. A brisa, ao tocar os meus olhos, transforma-se em lágrimas que descem frias pelo meu rosto. Os meus lábios. Sinto-as e sinto a memória das vezes que chorei o desespero parado, mais triste, de lágrimas que descem lemtamente pelo rosto. O tempo passa por mim como qualquer coisa que passa por mim sem que a consiga imaginar e as lágrimas, que eram apenas a brisa a tocar os meus olhos, começam a ser lágrimas de despero verdadeiro. Paro no passeio. O mundo pára. E lembro-me de ti como uma faca, uma faca profunda, a lâmina infinita de uma faca espetada infinitamente em mim.


José Luis Peixoto

outubro 06, 2007

Caaaaaarrrriiieeeeee!



Minha nossa Sra!O que eu gostava deste grupo quando era chavalinha...E tinha posters que tirava da Bravo, que na altura era só em alemão mas isso não interessava nada. O importante era ter a cara linda do vocalista..Ou pelo menos na altura eu achava que era giríssimo.Agora...lol O cabelo mais armado que o da Lili Caneças, o fiozinho ao pescoço, o casaquinho( que bom gosto na escolha..; p)Nem sei que diga..Do que uma pessoa gosta quando é canuca. Mas continuo a saber a música de cor e tenho orgulho nisso! Mai nada...

outubro 05, 2007



Quanto de ti, amor, me possuiu no abraço

em que de penetrar-te me senti perdido

no ter-te para sempre

-Quanto de ter-te me possui em tudo

o que eu deseje ou veja não pensando em ti

no abraço a que me entrego

-Quanto de entrega é como um rosto aberto,

sem olhos e sem boca,

só expressão doridade quem é como a morte

-Quanto de morte recebi de ti,

na pura perda de possuir-te em vão

de amor que nos traiu

-Quanta traição existe em possuir-se a gente

sem conhecer que o corpo não conhece

mais que o sentir-se noutro

-Quanto sentir-te e me sentires não foi

senão o encontro eterno que nenhuma imagem

jamais separará

-Quanto de separados viveremos noutros

esse momento que nos mata para

quem não nos seja e só

-Quanto de solidão é este estar-se em tudo

como na auséncia indestrutível que

nos faz ser um no outro

-Quanto de ser-se ou se não ser o outro

é para sempre a única certezaque nos confina em vida

-Quanto de vida consumimos pura

no horror e na miséria de, possuindo, sermos

a terra que outros pisam

-Oh meu amor, de ti, por ti, e para ti,

recebo gratamente como se recebe

não a morte ou a vida,

mas a descoberta

de nada haver onde um de nós não esteja.
Jorge de Sena

outubro 01, 2007

Tocas um corpo, sentes-Ihe o repetido tremor

sob os teus dedos, o cálido andamento do sangue.

Observas-lhe o lânguido amolecimento,

as suas sombras corporais, o seu desvelado esplendor.

Não há palavras. Tocas um corpo; um mundo

enche agora as tuas mãos empurra o seu destino.

Estira-se o tempo nos pulmões

silva como um chicote rente aos lábios.As horas, o instante, detêm-se,

extrais aí a tua pequena parcela de eternidade.Antes foram os nomes e as datas.

a história tão clara e lúcida de dois rostos distantes.Depois aquilo a que chamas amor,

talvez se transforme em promessa arrancada,muro erguido que pretende encerrar

aquilo que só em liberdade pode ganhar-se.Não importa, agora nada importa.

Tocas um corpo, nele te fundes,apalpas a vida, real, comum. Já não estás só.

Juan Luis Panero

setembro 27, 2007


"Nunca tiveste aquela sensação de amares alguém, de amares alguém muito, e de as circunstâncias em que a tua vida acontece destruírem a possibilidade desse amor, apesar de ele continuar a existir dentro de ti?"


João Tordo in Hotel Memória

setembro 24, 2007

Podíamos saber um pouco mais
da morte. Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais
depressa.

Podíamos saber um pouco mais
da vida. Talvez não precisássemos de viver
tanto, quando só o que é preciso é saber
que temos de viver.

Podíamos saber um pouco mais
do amor. Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor, ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.

Nuno Júdice

setembro 23, 2007



-Meu corpo, que mais receias?

-Receio quem não escolhi.


-Na treva que as mãos repelem

os corpos crescem trementes.

Ao toque leve e ligeiro

O corpo torna-se inteiro,

Todos os outros ausentes.


Os olhos no vago

Das luzes brandas e alheias;

Joelhos, dentes e dedos

Se cravam por sobre os medos...

Meu corpo, que mais receias?


-Receio quem não escolhi,

quem pela escolha afastei.

De longe, os corpos que vi

Me lembram quantos perdi

Por este outro que terei.


Jorge de Sena

setembro 21, 2007

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada
lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
-Temos um talento doloroso e obscuro.
construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

Herberto Hélder

setembro 20, 2007

Se partires, não me abraces - a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.
Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces
-o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém - longe de ti, o corpo não fazs
enão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas.
Maria do Rosário Pedreira

setembro 19, 2007

Ai oh pah..Tão chavalinhos..Mais uma daquelas músicas de sempre..

setembro 18, 2007

Aqueles que passam por nós,
não vão sós,
não nos deixam sós.
Deixam um pouco de si,
levam um pouco de nós.
Antoine de Saint-Exupery

setembro 17, 2007





Como não consigo colocar isto noutro sítio (sou um bocado loura..; p) aqui fica o meu coisinho de contar ; p

setembro 14, 2007

Nunca tinha caído
de tamanha altura em mim
antes de ter subido
às alturas do teu sorriso.
Regressava do teu sorriso
como de uma súbita ausência
ou como se tivesse lá ficado
e outro é que tivesse regressado.
Fora do teu sorriso
a minha vida parecia
a vida de outra pessoa
que fora de mim a vivia.
E a que eu regressava lentamente
como se antes do teu sorriso
alguém(eu provavelmente)
nunca tivesse existido.
Manuel António Pina

setembro 07, 2007

Metade




Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
a outra metade é silêncio
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade
Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
pois metade de mim é o que ouço
a outra metade é o que calo
Que a minha vontade de ir embora
se transforme na calma e paz que mereço
que a tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
a outra metade um vulcão
Que o medo da solidão se afaste
e o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
pois metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o seu silêncio me fale cada vez mais
pois metade de mim é abrigo
a outra metade é cansaço
Que a arte me aponte uma resposta
mesmo que ela mesma não saiba
e que ninguém a tente complicar
pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
pois metade de mim é platéia
a outra metade é canção
Que a minha loucura seja perdoada
pois metade de mim é amor
e a outra metade também.

Oswaldo Montenegro

Trocaria a memória de todos os beijos que me deste por um único beijo teu. E trocaria até esse beijo pela suspeita de uma saudade tua, de um único beijo que te dei.



Miguel Esteves Cardoso

setembro 05, 2007



Já cá tinha posto a letra. Na altura em que ainda não sabia pôr videos no meu bloguito..Ok, gozem à vontade ; p Aqui fica uma das músicas mais marcantes da minha vida..

setembro 04, 2007

Gosto dos amigos
Que modelam a vida
Sem interferir muito,
Os que apenas circulam
No hálito da fala
E põem,
de leve,
Um desenho às coisas.
Mas, porque há espaços desiguais
Entre quem são
E quem eles me parecem,
O meu agrado inclina-se
Para o mais reconciliado,
Ao acordar,
Com a sua última fraqueza;
O que menos se preside à vida
E, à nossa, preside
Deixando que o consuma
O núcleo incandescente
Dum silêncio votivo
De que um fumo de incenso
Nos liberta.

Sebastião Alba

setembro 03, 2007

Lua adversa


Tenho fases, como a lua

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua...

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.

E roda a melancolia

seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém(tenho fases como a lua...)

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua...

E, quando chega esse dia,

o outro desapareceu...

Cecília Meireles

setembro 02, 2007


"Ontem à noite eu chorei. Chorei porque o processo do meu crescimento foi doloroso. Chorei porque não era mais uma criança com a fé cega de criança. Chorei porque os meus olhos estavam abertos para a realidade (...).Chorei porque não podia mais acreditar, e adoro acreditar.Ainda consigo amar apaixonadamente (...). Isto significa que amo humanamente. Chorei porque daqui por diante chorarei menos. Chorei porque perdi a minha dor e ainda não estou acostumada à ausência dela."



Anaïs Nin

setembro 01, 2007

agosto 31, 2007

Navega


Navega,
descobre tesouros,
Mas não os tires do fundo do mar,
o lugar deles é lá.
Admira a Lua,
sonha com ela,
Mas não queiras trazê-la para Terra.
Goza a luz do Sol,
deixa-te acariciar por ele.
O calor é para todos.
Sonha com as estrelas,
apenas sonha,
elas só podem brilhar no céu.
Não tentes deter o vento,
ele precisa correr por toda a parte,
Ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
As lágrimas?
Não as seques,
elas precisam correr na minha,
Na tua,
em todas as faces.
O sorriso!
Esse deves segurar,
não o deixes ir embora,
agarra-o!
Quem amas?
Guarda dentro de um guarda jóias,
tranca, perde a chave!
Quem amas é a maior jóia que possuis,
a mais valiosa.
Não importa se a estação do ano muda,
se o século vira
Conserva a vontade de viver,
não se chega a parte alguma sem ela.
Abre todas as janelas que encontrares
e as portas também.
Persegue o sonho,
mas não o deixes viver sozinho.
Alimenta a tua alma com amor,
cura as tuas feridas com carinho.
Descobre-te todos os dias,
deixa-te levar pelas tuas vontades,
Mas não enlouqueças por elas.
Procura!
Procura sempre o fim de uma história,
seja ela qual for.
Dá um sorriso
àqueles que esqueceram como isso se faz.
Olha para o lado,
há alguém que precisa de ti.
Abastece o teu coração de fé,
não a percas nunca.
Mergulha de cabeça
nos teus desejos e satisfá-los.
Agoniza de dor por um amigo,
só sairás dessa agonia se
conseguires tirá-lo também.
Procura os teus caminhos,
mas não magoes ninguém nessa procura.
Arrepende-te,
volta atrás,
pede perdão!
Não te acostumes
com o que não te faz feliz,
Revolta-te quando julgares necessário.
Enche o teu coração de esperança,
mas não deixes que ele se afogue nela.
Se achares que precisas de voltar atrás,
volta!
Se perceberes que precisas seguir,
segue!
Se estiver tudo errado,
começa novamente.
Se estiver tudo certo,
continua.
Se sentires saudades,
mata-as.
Se perderes um amor,
não te percas!
Se o achares,
segura-o!
Fernando Pessoa

agosto 30, 2007


Não é o coração
mas teu silêncio
de intenso furor.
Não é o coração
mas as mãos
sem corpo, vazias.
Na grave melodia
de um instante
tu e eu
em desequilíbrio
na infame
consistência
de um absoluto
obstáculo.
Ana Marques Gastão

Dance me till the end of love




Há tanto tempo que não ouvia isto...Um grande clássico da minha cada vez mais longínqua adolescência ; p

agosto 28, 2007

"(...) foi então que dei por mim a existir para lá da tua morte, como se asfixiasse. mas o passado não é senão um sonho. uma brincadeira com clepsidras avariadas e algum sangue.não vale a pena estar triste.todas as histórias, todas as mortes, acabam por se apagar."

Al Berto

agosto 25, 2007



Andar?! Não me custa nada!...


Mas estes passos que dou


Vão alongando uma estrada


Que nem sequer começou.





Andar na noite?!Que importa?...


Não tenho medo da noite


Nem medo de me cansar:


Mas na estrada em que vou,


Passo sempre à mesma porta...





E começo a acreditar


No mau feitiço da estrada:


Que se ela não começou


Também não foi acabada!





Só sei que,neste destino,


Vou atrás do que não sei...


E já me sinto cansada


Dos passos que nunca dei.





Natália Correia

agosto 22, 2007

Quando vires os teus olhos a verem-te, quando não souberes se tu és tu ou se o teu reflexo no espelho és tu, quando não conseguires distinguir-te de ti, olha para o fundo dessa pessoa que és e imagina o que aconteceria se todos soubessem aquilo que só tu sabes sobre ti.

José Luís Peixoto

agosto 20, 2007

Meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo o que quer.
Caetano Veloso

agosto 19, 2007









Não conheço os lugares onde não estás.
Albano Martins

agosto 18, 2007

Eu sei



Eu sei que há quem a ache pirosa, ranhosa, lamechas e tudo e tudo e tudo..Eu também acho..Mas gosto! Que hei-de fazer... ; p

agosto 17, 2007

Tenho tanto sentimento


Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço,
ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
Fernando Pessoa

agosto 14, 2007

Cântico Negro


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces


Estendendo-me os braços, e seguros


De que seria bom que eu os ouvisse


Quando me dizem: "vem por aqui!"


Eu olho-os com olhos lassos,


(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)


E cruzo os braços,


E nunca vou por ali...


A minha glória é esta: Criar desumanidade!


Não acompanhar ninguém. - Que eu vivo com o mesmo sem-vontade


Com que rasguei o ventre à minha mãe


Não, não vou por aí!


Só vou por onde


Me levam meus próprios passos...


Se ao que busco saber nenhum de vós responde


Por que me repetis: "vem por aqui!"?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,


Redemoinhar aos ventos,


Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,


A ir por aí...


Se vim ao mundo, foi


Só para desflorar florestas virgens,


E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!


O mais que faço não vale nada.


Como, pois sereis vós


Que me dareis impulsos,


ferramentas e coragem


Para eu derrubar os meus obstáculos?...


Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,


E vós amais o que é fácil!


Eu amo o Longe e a Miragem,


Amo os abismos, as torrentes, os desertos... Ide!


Tendes estradas,


Tendes jardins, tendes canteiros,


Tendes pátria, tendes tectos,


E tendes regras,


e tratados, e filósofos, e sábios...


Eu tenho a minha Loucura !


Levanto-a, como um facho,


a arder na noite escura,


E sinto espuma, e sangue,


e cânticos nos lábios... Deus e o Diabo é que guiam,


mais ninguém.


Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;


Mas eu, que nunca principio nem acabo,


Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!


Ninguém me peça definições!


Ninguém me diga: "vem por aqui"!


A minha vida é um vendaval que se soltou.


É uma onda que se alevantou.


É um átomo a mais que se animou...


Não sei por onde vou,


Não sei para onde vou


- Sei que não vou por aí!



José Régio

agosto 06, 2007

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca,
tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e
invento exclamações alegres,
porque a ausência,
essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade

agosto 01, 2007

Filhos dum deus selvagem e secreto
E cobertos de lama, caminhamos
Por cidades,
Por nuvens
E desertos.
Ao vento semeamos o que os homens não querem.
Ao vento arremessamos as verdades que doem
E as palavras que ferem.
Da noite que nos gera, e nós amamos,
Só os astros trazemos.
A treva ficou onde
Todos guardamos a certeza oculta
Do que nós não dizemos,
Mas que somos.
Ary dos Santos

julho 31, 2007


E por vezes as noites duram meses

E por vezes os meses oceanos

E por vezes os braços que apertamos

nunca mais são os mesmos

E por vezes encontramos de nós em poucos meses

o que a noite nos fez em muitos anos

E por vezes fingimos que lembramos

E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos

só o sarro das noites não dos meses

lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos

E por vezes por vezes ah por vezes

num segundo se envolam tantos anos.


David Mourão Ferreira

julho 30, 2007

Naquele tempo
Tu vinhas de noite à procura de amor
E eu fumando um cigarro
Esperava por ti
Quando chegavas
Abrias a porta sem me avisar
P'la noite fora
Ficavas abraçada a mim
Na cabana
Junto à praia
Entre as dunas e os canaviais
Só o vento
E o mar
E as gaivotas
Falam desse amor
Na cabana
Todos os anos
Eu volto em agosto ao mesmo lugar
Já uma hera
Cobriu a parede do quarto
Dava dez anos
De vida para te ver voltar
Posso estar farto
De tudo mas nunca me afasto
Da cabana
... ... ...


José Cid
ps- Nunca mais serei a mesma depois disto. Garanto-vos ; p. Um grande bem haja à Camara Municipal de Lagos por me permitir ver e ouvir live, mas mesmo live, esta lenda incontornável da música portuguesa. E as favas com chouriço? Até chorei..