março 19, 2009


o amor é uma casa onde cabem dois corpos
e os gestos entre eles.imaginemos que não se pode falar
e coloquemos uma ameixa madura no lugar da boca.
qual dos amantes dará o primeiro beijo?
a noite não tem olhos. um corpo sabe do outro corpo
apenas porque cheira. um corpo não sabe quem é o
outro corpo. são um homem e uma mulher.
mas, no silêncio, só há dedos e línguas.o toque é a linguagem,
a magia de ser vento numa carícia.e assim conversam os amantes.
imaginemos que podem escrever uma palavra.
têm apenas o corpo um do outro.
e, no lugar da boca,ameixas que sangram beijos. quando as línguas se afastam,
a noite abre os olhos com ternura.os dedos dele penetram o corpo dela.
no momento em que ele vai escrever
uma palavra no seu interior,
nesse exacto momento em que o amor é um gesto circular,
e a voz apenas um fio, ela sussurra:
escreve o teu nome.
Alice Macedo Campos

março 16, 2009

É muito bom e faz muito bem...


Sair dos dias. Não dormir. Não falar com ninguém. Ficar de fora do lá de fora. Ocupar o coração. À força. Ser como ele.
É muito bom e faz muito bem.
Espera-se um bocadinho e, pouco a pouco, ele começa a correr para dentro de nós, aflito por atenção. Traz as coisas que adiámos, em que não reparámos, que não tivemos tempo de cuidar. E primeiro vêm as mágoas. A felicidade que recusámos. Sem saber. Sempre sem saber. A tristeza de que fugimos. Voltam.

É muito bom e faz muito bem.

Sair de nós. Cair nos outros. Não escrever. Ler. Não pensar. Lembrar. Os amigos quietos. O murmúrio do riso que riram. A família parada. O colo onde cabe a cabeça. O amor adormecido. Estas coisas acordam. E sossega saber que nós não somos nada sem eles. E mesmo com eles, quase nada. Escravos de carinhos somos nós, seguindo atrás, de braços abertos, numa fila sem fim.

É muito bom e faz muito bem.

Sair dos trabalhos, do dinheiro, das palavras que nada querem ou conseguem dizer. Fazer gazeta. Faltar. Desobedecer. É um trabalho também. Não ir. Não responder. Não entregar. É cumprir também. Desmergulhar. Desfazer. Desacontecer. São tarefas também. Ainda mais difíceis, talvez.

É muito bom e faz muito bem.

Sair da ordem. Cair na doçura do acaso. Trocar de caos. Descer. Vestir a mesma roupa. Não fazer a barba. Beber. Fumar. Sem pausa. Sem razão. Ceder. Emergir. Abandalhar. Fazer o que não se está a fazer. Esticar a corda. Não atender. Desarrumar os livros. Passear pela casa como se fosse uma cidade destruída. Estragar.

É muito bom e faz muito bem.

Sair da vontade. Cair na estupidez. Não descansar. Ver televisão numa língua que não se compreenda. Forçar. Esquecer. Fazer o que não apetece fazer. Contrariar. Confundir. Comer atum de conserva com uma colher. Pôr o despertador para acordar mal se comece a adormecer. Dizer disparates em voz alta. Todos agora. Virar o bico ao prego. Arrepiar. Arrepender.

É muito bom e faz muito bem.

Sair do corpo. Cair na alma. De chapão. Sem ver nada à frente. Receber os mistérios. Sem cerimónias. Sem compreender. Ser absorvido. Subjugado. E agradecer. Perder o norte, o fio, os sentidos. E gostar. Divertir. Desprender. Chafurdar na lama. Acriançar. Rir. Começar a chorar. Ser levado, enlevado, enganado, desprotegido, confuso, cruel. Desviado.

É muito bom e faz muito bem.

Sair da vida. Cair na morte. Sofrer. Iludir. Acabar. Permanecer na cama. Pensar em tudo o que se faz como se fosse a última vez. Esmorecer. Querer voltar atrás e fingir que já não se pode. Confessar. Pedir. Esvaziar. Ter pena de quem se foi e do que se fez. Rejeitar o perdão, a redenção, a última oportunidade.

É muito bom e faz muito bem.

É tão bom e faz tanto bem que, às vezes, cada vez mais, não apetece regressar. Tanto que só nos resta levantarmo-nos de onde caímos e, deixando-nos conduzir por tudo o que nos tolheu os passos desde o dia em que começamos a errar, na contramão das nossas almas, só nos resta procurar um sítio onde a nossa ida não se reconhece, não se aceita, não faz sentido, e entrar.

Entrar aqui. Daqui de onde nunca se sai. E ficar.

Miguel Esteves Cardoso

março 12, 2009

ontem chorei. por tudo que fomos. por tudo o que não conseguimos ser. por tudo que se perdeu. por termos nos perdido. pelo que queríamos que fosse e não foi. pela renúncia. por valores não dados. por erros acometidos. acertos não comemorados. palavras dissipadas. chorei pela guerra quotidiana. pelas tentativas de sobrevivência. pelos apelos de paz não atendidos. pelo amor derramado. pelo amor ofendido e aprisionado. pelo amor perdido. pelo amor. pelo respeito empoeirado em cima da estante. pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. pelos sonhos desafinados. estremecidos. adiados. pela culpa. toda a culpa. minha. sua. nossa culpa. por tudo que foi. e foi. e voou. e não volta mais pois que hoje é já outro dia. chorei. eu chorei. apronto agora os meus pés na estrada. ponho-me a caminhar sob sol e vento. eles secam as lágrimas. vou ali ser feliz e já volto.


Caio Fernando Abreu

março 10, 2009



Gostava de acordar todos os dias assim: cair sem almofada em cima da realidade. Com a certeza de que seguir em frente é o único caminho. Sem me perder em mundos e noites que já não me pertencem.
Alice Lemarin

março 09, 2009

Faltou-me viver onde estava
mas ensinei-me
a não estar completamente onde estive
e a cidade dormindo em mim
não me viu entrar
na cidade que em mim despertava

Houve lágrimas que não matei
porque me fiz
de gestos que não prometi
e na noite abrindo-se
como toalha generosa
servi-me do meu desassossego
e assim me acrescentei
aos que sendo toda a gente
não foram nunca como toda a gente.

Mia Couto

março 08, 2009

Come sail your ships around me and burn your bridges down...



Mais uma daquelas que me provoca assim uns arrepios...Ui,ui... : p

março 04, 2009

Written a long time ago... A life time ago...

Amo-te.
Um amor que vem de dentro, forte, puro verdadeiro. Um amor de fazer corar os mais cépticos, um amor de fazer corar aqueles que dizem " amo-te " em vão. Porque o " amo-te " tem de ser sentido em cada milímetro do ser. Tem de começar no coração, passar por todos os nervos e artérias e veias e acabar num sussurro. Um sussurro dito pela boca que espera um beijo. Um beijo de " amo-te ".
Amo-te sem vergonhas, sem complexos, sem medos. Amo-te incondicionalmente, apaixonadamente, fisicamente, carnalmente, silenciosamente. E é neste silêncio que guardo o meu amor. O maior e o mais desejado de sempre. Amote assim. Sem espaços nem tracinhos. Totalmente.

fevereiro 28, 2009

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.


Álvaro de Campos


fevereiro 27, 2009

Por aqui...



ps- Hoje em conversa com um amigo de longa data, recordámos este grupo. E esta música em particular, que tanto nos disse há muitos anos e que, concluímos, passados estes anos todos, continua a tanto nos dizer...

The contrast of white on white.
And in between the moon and you
The angels get a better view
Of the crumbling difference between wrong and right.
I walk in the air between the rain
Through myself and back again
Where? I don't know
Maria says she's dying
Through the door I hear her crying
Why? I don't know
Round here we always stand up straight
Round here something radiates
Maria came from Nashville with a suitcase in her hand
She said she'd like to meet a boy who looks like Elvis
And she walks along the edge of where the ocean meets the land
Just like she's walking on a wire in the circus
She parks her car outside of my house
Takes her clothes off
Says she's close to understanding Jesus
She knows she's more than just a little misunderstood
She has trouble acting normal when she's nervous
Round here we're carving out our names
Round here we all look the same
Round here we talk just like lions
But we sacrifice like lambs
Round here she's slipping through my hands
Sleeping children better run like the wind
out of the lightning dream
Mama's little baby better get herself in
out of the lightning
She says "it's only in my head"
She says "Shhh I know it's only in my head"
But the girl on the car in the parking lot
Says "Man you should try to take a shot
Can't you see my walls are crumbling?"
Then she looks up at the building
Says she's thinking of jumping
She says she's tired of life
She must be tired of something
Round here she's always on my mind
Round here hey man got lots of time
Round here we're never sent to bed early
and nobody makes us wait
Round here we stay up very, very, very, very late
I can't see nothing.. nothing round here
Will you catch if I'm falling
Will you catch me if I'm falling
Will you catch me cause I'm falling down on you
I said I'm under the gun around here
I'm innocent I'm under the gun around here
And I can't see nothing
Nothing round here.

Counting Crows

fevereiro 26, 2009

Saudadinhas...



ps - Musiquinha maravilha que me faz ter muitas saudades das férias, em especial, do Porto... Snif, snif...

fevereiro 20, 2009


Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta --- por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.

Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.

E dormem mil gestos nos meus dedos.
Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.

Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar.


Sophia de Mello Breyner Andresen


fevereiro 19, 2009

The end



ps - " Um dia frio" e não "Nem um dia"...crominhos...

In Shiiuu

fevereiro 18, 2009

Dói saber que o amor de sempre, é um amor pequeno, que não merece a grandeza do nosso.















janeiro 28, 2009

Vacances, Holidays, Loma, Vacanza, Urlaub, Ferie, Swieto, Semester, Praznik...

FÉRIAS!

Weeeeeeeeeeeeeeeeeee!

janeiro 27, 2009

Vêm sempre do lado esquerdo. As dores, mesmo quando são fingidas, nunca cicatrizam e é do lado esquerdo que se fixam.


Albano Martins

janeiro 26, 2009

Aconchego-me ao casaco. As tuas mãos apertam-me os ombros. O teu hálito quente, sinto-o no meu pescoço. Aperto o casaco. As tuas mãos abraçam-me o peito. O teu sussurro inaudível respira no meu ouvido. Fecho os olhos e sinto-te. Aqui. Ainda. Sempre.

janeiro 24, 2009

O tormento de te amar é uma asa presa que me detém num cubo de medo; medo de que o amor eterno exista, não caiba nas nossas vidas tão breves ou não lhes resista.



Ana Rita Calmeiro

janeiro 20, 2009

guarda-me
adormecida para sempre no teu peito

ou deixa-me voar uma vez mais sobre
esta terra de ninguém onde morro
por qualquer coisa que me fale de ti

há noites assim em que o silêncio
se transforma ao de leve numa lâmina
que minuciosamente rasga o linho
onde ficou esquecido o corpo que habitámos
em provisórias madrugadas felizes

depois é só abrir os braços e acreditar
que ainda faltam muitas horas para a partida
e que à-toa pelos corredores ainda escorre
uma razão primeira a trazer-me de volta

e eu adormecida para sempre
no teu peito

e eu acorrentada para sempre
no teu peito

e de novo entre nós aquele choro de quem
não teve tempo de preparar a despedida
com as palavras certas
porque as palavras certas estavam todas
em histórias erradas
que outros escreveram em lugares nublados
que nem vale a pena tentar recompor

muito ao longe uma voz desgarrada
estabelece o fim do verão

e eu adormecida para sempre
no teu peito

e eu acorrentada para sempre
no teu peito

Alice Vieira

janeiro 17, 2009


Às vezes, pequenos
grandes terremotos

ocorrem do lado esquerdo do meu peito.

Fora, não se dão conta os desatentos.

Entre a aorta e a omoplata rolam
alquebrados sentimentos.

Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.

Os mais íntimos
já me viram
remexendo escombros.

Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.

Affonso Romano de Sant'Anna



janeiro 13, 2009

For you...



You could be happy and i won't know
But you weren't happy the day i watched you go.

And all the things that i wish i had not said,
Are played in loops till it's madness in my head.


Is it too late to remind you how we were?
But not our last days of silent screaming blur.

Most of what i remember makes me sure
I should've stopped you from walking out the door.

You could be happy i hope you are
You made me happier than I'd been by far

Somehow everything i own, smells of you
And for the tiniest moment it's all not true.

Do the things that you always wanted to
Without me there to hold you back, don't think just do

More than anything i want to see you girl
Take a glorious bite out of the whole world

Snow Patrol

janeiro 09, 2009

Que tenho o coração preto
Dizes tu, e ainda te alegras.
Eu bem sei que o tenho preto:
Está preto de nódoas negras.

Fernando Pessoa



janeiro 07, 2009

Ouvida again,and again, and again...

Quantos dias se passam sem tu apareceres

E às vezes penso é bom que assim seja
para eu aprender a estar só.
Mas de outras vezes rompes-me pela vida dentro
e eu quase sufoco da tua presença.
Ouço-te dizer o meu nome e eu corro ao teu encontro
e digo-te vai-te, vai-te embora. Por favor.
E eu sinto-me logo tão infeliz.
E digo-te não vás. Fica. Para sempre.
Há em mim uma luta entre o desejo de que te esqueça
e o de endoidecer contigo.


Virgílio Ferreira

janeiro 06, 2009

vou buscar-te ao fim da tarde,
porque a noite só escurece contigo ao
meu lado, porque a noite aprende por ti
o caminho aberto das estrelas

vou buscar-te ao fim da tarde,
e verás como preparei a casa, como
escolhi a música, como, enfim, espalhei
os objectos mais impressionados contigo,
os que ganharam vida por se interporem
na espessura estreita que vai do meu
ao teu coração

e não mais te devolvo, correndo todos os
riscos de não amanhecer nunca
numa loucura propositada por ti

não mais te devolvo,
ocuparás o mundo debaixo e sobre mim,
e não haverá mais mundo sem que seja assim.

Valter Hugo Mãe


janeiro 02, 2009

Há meses que vivo rodeada
por uma substância negra e pegajosa
que invadiu a minha casa. As paredes,
o chão, as janelas e os móveis,
a comida, os livros e a roupa,
o teclado do computador, as plantas,
o telefone… Está tudo impregnado
com esta tez escura, a mesma que respiro
e que me mata pouco a pouco.
Dizem que os venturosos e os néscios
chamam melancolia a esta porcaria
que apodrece o coração e asfixia a alma.


Amália Bautista



dezembro 31, 2008

Em 2009

Queria ter coragem
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo.

Carlos Drummond de Andrade

dezembro 30, 2008

Não me interessa saber o que fazes para ganhar a vida. Quero saber o que desejas ardentemente, se ousas sonhar em atender aquilo pelo qual o teu coração anseia. Não me interessa saber a tua idade. Quero saber se arriscarás parecer um tolo por amor, por sonhos, pela aventura de estar vivo. Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com a tua lua. Quero saber se tocaste o âmago da tua dor, se as traições da vida te abriram ou se te tornaste murcho e fechado por medo de mais dor! Quero saber se podes suportar a dor, minha ou tua; sem procurar escondê-la, reprimi-la ou narcotizá-la. Quero saber se podes aceitar alegria, minha ou tua, se podes dançar com abandono e deixar que o êxtase te domine até às pontas dos dedos das mãos e dos pés, sem nos dizeres para termos cautela, sermos realistas, ou nos lembrarmos das limitações de sermos humanos. Não me interessa se a história que contas é verdade. Quero saber se consegues desapontar outra pessoa para ser autêntico contigo mesmo, se podes suportar a acusação de traição e não traíres a tua alma.

Quero saber se podes ver beleza mesmo que ela não seja bonita todos os dias, e se podes buscar a origem da tua vida na presença de Deus, quero saber se podes viver com o fracasso, teu e meu e ainda, à margem de um lago, gritar para a lua prateada: Posso! Não me interessa onde moras ou quanto dinheiro tens. Quero saber se podes levantar-te após uma noite de sofrimento e desespero, cansado, ferido até aos ossos, e fazer o que tem de ser feito pelos filhos. Não me interessa saber quem és e como vieste parar aqui. Quero saber se ficarás comigo no meio do incêndio e não te acovardarás. Não me interessa saber onde, o quê, ou com quem estudaste. Quero saber o que te sustenta a partir de dentro, quando tudo o mais se desmorona. Quero saber se consegues ficar sozinho contigo mesmo e se, realmente, gostas da companhia que tens nos momentos vazios.


Jean Houston

dezembro 27, 2008


Eu acreditei que podia amar o teu corpo, o teu modo de insinuar o coração nas palavras. Mas era apenas a forma como a noite sublinhava as superfícies, eu nunca pude atravessar essa espessura. Estavas ali para te dispores aos meus sentidos mas crescias fora de alcance no teu próprio pensamento. Uma distância que só serviria aos lobos, um mau caminho arrancado às fragas. Já só conhecia os dias onde tu os frequentavas, o sítio em que me mantinhas era mais urgente que o sangue. Sem dúvida que vinhas pelo meu desejo mas eu perdia sempre alguma coisa quando te ganhava. Às vezes era só a minha vontade, outras vezes era toda a frase do meu nome.


Rui Pires Cabral

dezembro 23, 2008

Deixei de te ver. Não há luz sequer. A noite cai. Como se fosse uma pessoa, a noite cai. Como se não fosses tu. Como se tivesses de partir e já fosses atrasado e fosses a correr e depois te esquecesses de voltar. E, mesmo querendo, já não soubesses o caminho de volta, mesmo querendo, não pudesses por já não o haver, o caminho de volta até mim. Sem maldade, puro esquecimento, sim, posso acreditar que lá fora facilmente encontres o que quiseres e isso te dê prazer. Aqui não, aqui, junto a mim, é mais difícil, eu sei. Aqui não se deixa agarrar um só instante. Derrete-se na boca,a vida, que está a passar. Num instante. Tu sabes o que é, e é bom que saibas como é porque mesmo se mo pedisses, de todas as maneiras, não to podia dizer. O que podes, isso sim, do que mais precisas, isso sim, é de adormecer e descansar. Assim não podes continuar. Já reparaste como estás? Metes dó. Eu sei, a culpa não é tua,ficaste assim sem querer, o exacto contrário do que querias, eu sei,disseste-mo demasiadas vezes. A vida que nos deram não é nossa? Mas podias pelo menos tentar que passe por ti. E por mim,se não for pedir demais. Não sei se queres compreender mas não vou repetir,nem uma palavra. Não vale a pena, ficava logo tudo igualzinho à primeira vez. O que tu podes é abrir os olhos e ver.
Pedro Paixão

dezembro 19, 2008

dezembro 18, 2008

“ - O que empurra as lágrimas cá para fora?
- Lágrimas. É um processo simples que te é entregue como complexo. Há um reservatório dentro de ti onde estão todos os líquidos. Um dia o reservatório enche-se e é necessário libertar água. É nessa altura que choras.
- Mas quando choro há uma dor, um aperto. Ou uma euforia.
- Sugestão subsequente. Quando dás por ti com lágrimas nos olhos acreditas estar perante um choro.
- E choro.
- E falseias um choro. Inventas uma dor ou uma euforia para justificar as lágrimas.
- Sinto-me a chorar.
- A pele seca confirma-o.”


Pedro Chagas Freitas


dezembro 17, 2008



"Spent a long time now persuading myself
That I don't need no one
Nobody else
And who I was,
I could conceal
I know if I should live one hundred years
I'd never see another face like yours
On stranger seas or brighter shores
'Cause I know
That my love is real"

David Gray

ps- Sim,para os mais atentos,já cá tinha posto esta letra...E agora apetece-me pôr a música! O blog a bem dizer é meu... ; p

dezembro 16, 2008


Deixa-te ficar na minha casa.
Há janelas que tu não abriste.
Deixa-te ficar na minha casa.
Há janelas que tu não abriste.

O luar espera por ti
Quando for a maré vasa.
E ainda tens que me dizer
Porque é que nunca partiste...

João Gil