outubro 03, 2008

Um amor meu, publicou o seguinte texto:

"Um dia... tu deixasses de existir? Como seriam os meus dias? Em que pessoa me tornaria? Como seriam as minhas noites? Sentir-me-ia desamparada?
Provavelmente sim. Os meus dias passariam devagar e o pôr do sol seria triste. Teria dificuldade em reencontrar-me e as minhas noites seriam frias e vazias... Sentiria falta dos teus abraços seguros e de te ver rir... Acharia que nunca mais seria capaz de encontrar alguém que me preenchesse tanto como tu... E tu não sabes disto.. Que o meu coração está nas tuas mãos.

Por isso, sê meigo... e faz-me sentir que não tenho que me preocupar com o que aconteceria se um dia tu não existisses."

Papillon

Pois aqui vai o que penso sobre isto...

Para mim, se existe amor, existe sempre o medo de perder quem amamos. Se esse medo não existir, então é porque não é amor o que sentimos. Só faz sentido uma relação em que há o medo de perder o outro. Não estou a falar num medo constante, que perturbe em todos os momentos, nada disso.Mas o medo que nos faz olhar para o lado e sentir uma dor no peito, sentir o coração a bater mais forte, se pensamos que a “nossa” pessoa, algum dia nos pode faltar. E quando essa pessoa nos falta, dói muito... Falta-nos o ar, falta-nos o chão, perdemos o norte e levamos tempo a nos recompor, ou às vezes, não nos recompomos mais. Continuamos porque temos de continuar, por nós e por aqueles que nos amam e que também estariam perdidos se alguma vez lhes faltássemos. Mas perder alguém que amamos, perder aquele amor maior, aquele amor que, por mais pessoas que conheças, por mais corpos que sintas, por mais nomes que repitas, nunca voltar a encontrar outro que a ele se assemelhe, dói e irá doer sempre. Com o tempo tudo vai cicatrizando, a dor vai esmorecendo e os olhos deixam o chão e começam a tentar ver de novo. Mas acredito, sei, que a tal dor continua a existir no peito, mais fina, menos aguda, mais fraca, mas sempre presente, sempre que nos permitimos e temos a coragem de recordar o tal amor maior... Só nos resta então, aceitar a falta desse amor e com essa falta viver ou tentar viver outros amores.


Com a certeza, minha querida Papillon, que poderá faltar-te o tal amor maior, esperando claro, que isso nunca te aconteça, mas fica sabendo que, o meu amor, esse, nunca te faltará...


outubro 02, 2008



Como diria um amigo meu " tu és tão velhinha...", e não, não se estava a referir à minha idade ; p , mas sim ao facto de continuar presa a recordações, a cheiros, a pessoas ou à ausência delas. E a músicas. Sempre presa a músicas que em determinada altura da minha vida me disseram alguma coisa e continuam a dizer. Esta é mais uma dessas músicas. Horrorosa para alguns, de vomitar para outros, pavorosa para muitos..lol Para mim,linda.Por muitas razões...

setembro 30, 2008

" o que eu gostava
era de poder falar na tua boca
para que as tuas palavras fossem minhas
e pudesse permanecer silencioso ao teu lado. "

Pedro Paixão

setembro 26, 2008




"Quero ver as cores que tu vês
Para saber a dança que tu és
Quero ser do vento que te faz
Quero ser do espaço onde estás

Fazes muito mais que o sol..."

setembro 24, 2008

Tu tão em mim que eu desapareci em ti.

Faiza Hayat

Não sei adormecer: a madrugada
respira num silêncio que é o teu
silêncio, nesta febre
a arder na minha alma tão antiga.

Lá fora os astros não respondem:
as montanhas diluem o tempo e o espaço
e todo o céu começa a dilatar-se
no êxtase mais negro enquanto bebo
o cego sofrimento de não estares aqui.

A tua ausência fala-me às escuras
e o olhar devora estas paredes,
o meu quarto vazio onde se oculta
o lume de uma estrela
pronta a morrer. A noite
chama ainda por ti dentro de mim
- sombra feita de luz,
à espera de outro sonho ou do teu próximo
sorriso.

Fernando Pinto do Amaral


setembro 12, 2008

A vida, é para ser vivida.
Mas se não for, é mais segura.


Alexandre O'Neill

setembro 11, 2008


“ Um dia pensarei que passei por ti como passam os pássaros

por este campo que há-de tornar-se seco, no inverno; e que a
primavera que vivemos não há-de voltar, ao contrário dessa
que todos os anos sucede ao inverno, trazendo consigo esses
pássaros de que me lembro ao pensar que estou sem ti, agora
que todas as viagens chegaram ao fim, e uma pausa se prolonga
até se tornar definitiva. Mas não é por pensar isso que me sinto
longe de ti: o que talvez me faça sofrer, como se o sofrimento
não fosse uma parte do amor, e se substitua a ele, quando o
tempo impõe as suas regras, e nos lembra que dependemos
de pequenas coisas para que tudo mude, de um dia para o outro,
tornando-nos outros do que fomos, embora continuemos a
sentir o que sempre sentimos. Então, dirás,
alguma coisa valeu a pena? E eu respondo que
a migração dos pássaros é um sintoma de que os hábitos
não mudam quando queremos; e a vontade dos que
querem ficar leva-os à morte, como se entre morrer e amar
houvesse um elo que não sabemos de onde vem, mas se manifesta
na melancolia de um bater de asas, sob os ramos da árvore,
quando o céu de chuva impede o voo para cima dos seus
ramos. Mesmo que peguemos nessa ave, de pouco servirá: o
seu destino foi escolhido por ela, e quando isso acontece nada
podemos fazer. Debate-se, procurando escapar aos dedos
que a prendem; e esse gesto leva-a para onde não lhe chegamos,
a não ser com o olhar, sabendo que no dia seguinte o ramo
irá ficar vazio. Assim, voltei ao café onde tantas vezes te
esperei: e não havia ninguém na mesa, como se a maldição
tivesse tomado conta do lugar. «É do inverno», disse
o patrão, «ninguém sai de casa com este tempo.» Não lhe
dei outras razões. O que eu sei, levaste-o contigo, neste
inverno em que nem os pássaros querem ficar.”

Nuno Júdice

setembro 10, 2008


meu corpo é como um poço aberto no meio do caminho;

nele alguns lavam o rosto,

lavam nele outros os pés.

herberto helder

setembro 08, 2008

Há dias que são como espaços preparados
para que tudo doa.


roberto juarroz

setembro 02, 2008

"Não preciso de amigos que mudem quando eu mudo

e concordem quando eu concordo.

A minha sombra faz isso muito melhor."


Plutarco

setembro 01, 2008

"Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho, como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei".

Fernando Pessoa

agosto 26, 2008

vou partir
como se fosses tu que me abandonasses.

Al Berto

agosto 22, 2008



Tão bons momentos passei eu ao som desta música...Ui, ui... ; p

"Now I've tried to talk to you and make you understand
All you have to do is close your eyes
And just reach out your hands and touch me
Hold me close don't ever let me go
More than words is all I ever needed you to show
Then you wouldn't have to say that you love me
Cos I'd already know"

agosto 20, 2008

Eu quase amei a forma como tu mentias

Limpando os pés ao meu sorriso

E é claro que achas que eu não presto

É claro que achas que eu não sirvo

Foi no teu amor que algo se perdeu

Foi no teu amor

Não no meu

Eu quase amei a forma como tu me vias

Logo eu amo outra pessoa

E eu não me importo se eu não presto

Eu tenho planos para lá de mim

E tu és só o que eu te empresto.


Manuel Cruz


agosto 14, 2008


lembro-me da minha mão
pousada sobre a tua
e esse instante está debaixo
da palavra solidão.

José Luís Peixoto

agosto 13, 2008

Apanha-me as migalhas, por favor. São pedaços que deixei de mim nas tuas mãos, julgando-te com uma dessas fomes danadas, de queixo aguçado e olhos saltando das órbitas. Não tens dedos delicados e humildes para numa paciência de puzzle confortares o estômago com tão miseráveis pedaços do pão que te dei. Tinha como te alimentar e te fortalecer os músculos para uma luta mais justa, agora que é tão intensa e não podes fugir dela. Tinha todas as fontes onde pudesses saciar as tuas sedes. Preferiste espalhar-me ao largo, voltar costas, com um aceno breve por cima dos ombros arrogantes. Agora não sei. Nunca soube se esse aceno era de repúdio ou se querias ainda que te pusesse a mão por baixo, como se faz aos passarinhos que aprendem os primeiros passos do voo. Nada mais a dizer. Recolhe-me por favor as migalhas, e devolve-me o corpo, traçado a dores que não quiseste compreender.


José Alexandre Ramos

agosto 12, 2008


nas tuas mãos começa o precipício


luís miguel nava

agosto 11, 2008



A indecisão sobre as férias (bem merecidas diga-se de passagem) continuava...Riviera Maia ou Cuba, Cuba ou Riviera Maia. Mas perante o concerto de ontem, vamos para Cuba ah pois vamos! Só esperamos cruzar-nos com o Yotuel Romero (o sr dos Orishas que nos dá uns calores que ai Jesus!) ou com qualquer outro cubano com sangre muy caliente!Ih ih ih ih!Venham os mojitos, os charutos e tudo a que temos direito ; )

agosto 08, 2008

big big truth

às vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas.
o tempo passa e descobrimos que
grandes mesmo eram os sonhos e
as pessoas pequenas demais para torná-los reais.

Bob Marley

agosto 07, 2008

Tenho o coração gasto....

foto de Lobo Solitário

agosto 06, 2008

O corpo não espera.não por nós
ou pelo amor.este pousar de mãos
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos
este pousar em que não estamos nós
mas uma sede, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera;este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...

tem tanta pressa o corpo! e já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.


Jorge de sena


agosto 05, 2008

Teço delicadamente a angústia de não poder simplesmente abrir-te os braços como quem apanha o comboio para um país distante e nada tem como bagagem

(tu és esse país).

Não sabes como é isto. Este tecido que vai crescendo lento como uma manta que se deita sobre alguém que adormeceu

(queria fugir)

abruptamente. Não sabes como é isto. Querer tocar-te as sobrancelhas como quem se lembra de tocar piano com as mãos vagarosas e um pouco tristes

(abro o maço dos cigarros)

das mulheres que fazem renda de bilros, trocando as peças minuciosamente no mesmo ritmo de sempre. Não sabes como é olhar-te nessa elegância de pássaro e mandar para trás o dedo que se estende em direcção ao teu sorriso

(ponho um cigarro na boca como quem te morde as asas).

Teço delicadamente e de cor os contornos da tua cara toda. Sei de cor, sem nunca os ter tocado com a ponta da língua, os teus dentes que queria abrir como quem apanha o autocarro em direcção à noite e vai

(sem nada)

para se deixar estar. E tu não sabes como é isto. Querer simplesmente abrir-te a boca com o vagar de quem passeia entre castanheiros antigos e é um deles

(exactamente um deles)

à espera do fruto. Ponho um cigarro na boca. E o fumo sobe a traçar rotas para longe, que não sigo. Seguro a angústia entre os dedos

(médio e indicador)

com a mesma força de quem esmaga a beleza insuportável das tuas pestanas. E eu gosto da tua cara apenas feita para contrariar a inutilidade dos meus dias. Tu não sabes como é isto. Querer tocar-te onde o teu cabelo nasce como quem põe as mãos debaixo de torrentes de água fria

(e não estremece).

Eu gosto das tuas pernas magras que não andam como as demais. Dos teus braços estreitos como asas desengonçadas. Das tuas mãos que nunca pousaste sobre mim. Da tua barriga lisa e constante onde

(se)

podia afogar toda a angústia que é amar-te sem o tacto. O mesmo sentido que uso para abrir maços de cigarros e tomá-los entre os dedos, um atrás do outro, com a mesma urgência com que te tomaria o sexo

(esse país).

Eu gosto dos teus ombros que inclinas suavemente como um olhar que se perde no chão e não consegue encontrar o caminho de regresso. E tu não sabes como é isto. Querer endireitar-te os ombros. Dar-te um mapa que os teus olhos pudessem seguir sempre e nunca em frente

(a transparência).

Teço delicadamente a angústia de te amar sem

(sentido)

o amor táctil que votamos às coisas importantes

(os livros, os maços de cigarros)

e sob a a manta abrupta

(impalpável)

adormeço.

Caetano Veloso

agosto 04, 2008

Prendes num dia o que desligas noutro,
e entre o não e o sim não há meio termo:
o passo dado em frente com desvelo
revolta após por pouco duradouro.

Negas agora mas depois afirmas
e quando afirmas saberás negar:
ponteiro de um relógio que não gira
e quando gira é como se parasse.

Um cão fiel à infidelidade:
um infiel fazendo a guerra santa
com tanta santidade e temperança
que se desdiz ao prosseguir p'ra trás.



António Salvado

agosto 01, 2008

"Odeio quem me rouba a solidão

sem em troca

me oferecer

verdadeira companhia"

Nietzsche


julho 30, 2008

Não pude ser
o teu amor perfeito,
antes esta ferida.
Por isso para ti
não serei a pele
— poro a poro teu alumbramento —
serei apenas a cicatriz.

Perfeita.

Neide Archanjo

julho 29, 2008


De mim a ti, de ti a mim,
quem de tão longe alguma vez regressa?

Jorge de Sena


julho 24, 2008


E como amanhã é o aniversário de "Zézinho", que não trabalha e planeia estar o dia todo de papo para o ar a descansar na "picine", a ganhar forças para a noite violenta que já se adivinha, que não se vai nem aproximar de um computador e que as únicas teclas em que pretende tocar, são as do telemóvel para receber os milhares ( ok...centenas...errr...dezenas pronto! ) de mensagens e de chamadas, características da época festiva, aqui fica já adiantado o post...

Parabéns a miiiiiiiiiiimmmmmm!!!!!


julho 23, 2008

Não queria contigo mais nada
senão aquilo que quero. Aquilo
que quero é que não quero e o
que não quero quero tanto.
Querer ou não querer não é a
questão; a questão é querer o
não querer ou vice-versa que
para aqui é pura conversa.
Resumindo, não querer é um
desperdício quando se trata de
ti, querida, que te quero como
um crente carente de sacrifício.

Quando o vento se levanta e passa, tua cabeça adormecida põe-se a brilhar. Em redor dela um halo de sombra onde a minha mão entra, vagarosamente, pedindo-te um sinal. / Procuro o rosto com os dedos afiados pelo desejo. Toco a alba das pálpebras que, de súbito, se abrem para mim. / Um fio de luz coalha na saliva do lábio. / Ouvimos o mar, como se tivéssemos encostado a cabeça ao peito um do outro. Mas não há repouso nesta paixão. / O dia cresce, sem luz – e os pássaros soltam-se do pólen dos sonhos, embatem contra os nossos corpos. / Nada podemos fazer. / Um risco de passos ensanguentados alastra pelo chão da cidade. A noite cerca-nos, devora-nos. Estamos definitivamente sozinhos./ Começamos, então, a imitar a vida um do outro. E, abraçados amamo-nos como se fosse a última vez… (...)

Al Berto


julho 22, 2008

Time has told me

Time has told me
You're a rare rare find
A troubled cure
For a troubled mind.
And time has told me
Not to ask for more
Someday our ocean
Will find its shore.
So I`ll leave the ways that are making me be
What I really don't want to be
Leave the ways that are making me love
What I really don't want to love.
Time has told me
You came with the dawn
A soul with no footprint
A rose with no thorn.
Your tears they tell me
There's really no way
Of ending your troubles
With things you can say.
And time will tell you
To stay by my side
To keep on trying
'til there's no more to hide.
So leave the ways that are making you be
What you really don't want to be
Leave the ways that are making you love
What you really don't want to love.
Time has told me
You're a rare rare find
A troubled cure
For a troubled mind.
And time has told me
Not to ask for more
For some day our ocean
Will find its shore.


Nick Drake

julho 17, 2008

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mais beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.


Jorge de Sena

julho 15, 2008

Pensamento positivo... ; )

No final, tudo dá certo. Se ainda não deu certo é porque ainda não acabou.


Zélia Cardoso de Melo

julho 14, 2008

Se há uma coisa que eu sei
É que não há dentro e fora
Pois a não ser assim,
Como podias tu estar
Ao mesmo tempo
Dentro e fora
De mim?

Outra coisa que eu sei,
É que quando duas coisas
Entre si se atraem
Ao mesmo tempo se repelem,
Pois só assim podem ser
Duas e uma só coisa.

E sei ainda outra coisa
Talvez seja o que sei melhor,
Que sei pouca coisa
E posso sempre saber mais,
Desde que seja paciente
E nada queira saber.


Luís Ene

julho 10, 2008

E pronto pah....



De modos que é isto, não consigo evitar mesmo...Dá-me assim umas vontades de dançar quando oiço isto, parece que fico possuída pelo demónio ; p Não sei se é da boa disposição que paira sobre mim nestes últimos dias ( que se prolongue por muuuuuito tempo ósefazfabor! )se é de qualquer outra coisa..Tipo uma força extra terrestre ou assim...lol Mas o que é certo é que " I don't know what you do but you do it well...", la, la, la, la!

julho 09, 2008


" Podia ser o fim de qualquer amor. É sempre nos mesmos sítios. Diz que sim. Na alma bate a mesma chuva pesada. o tempo levanta-se contra quem o tem.O riso não separa os dias uns dos outros. Está o coração entreaberto. A vida nota-se em demasia.

A vida nota-se em demasia numa sala escura. O amor chama muito. As pessoas deixam-se prender pela luz. Fazem fogo fácil. Param. E não fica nada.

E não fica nada daquele dia branco. Um dia olhou para as mãos de quem amou e já não se viu dentro delas.

Agora lembra-se do dia em que quis ser igual a ela. E do que nunca lhe disse."Se te visses uma única vez, se te sentasses á tua frente e te ouvisses a falar, se te pudesses segurar, percebias porque é que as pessoas se apaixonam por ti". Ás vezes a verdade é a última coisa que se pode dizer. Ele não disse, ela não ouviu e nada ficou. Nem sequer para lembrar. Quando a paixão é tão grande nenhuma memória presta. Fica só muito tempo.

Fica só muito tempo do tempo todo que não se soube como passou. O amor é um trabalho de atenção. Diz que sim. Basta um abrir e fechar de olhos e perdeu-se. E o coração lançado à rua, desempregado de repente. Num dia de sol. O amor é uma força que não presta para mais nada. O que é que se pode fazer?

O que se pode fazer quando o amor nos larga? De repente há tempo para ler, tempo para os amigos, tempo para o trabalho, tempo para o olhar. Diz que sim. Há tempo para tudo, mas é tudo sem querer. E depois um dia acorda-se, vai-se á mesa, lê-se a última página do último livro que se tinha para ler, abre-se a agenda, e verifica-se que tudo está em ordem e que se está finalmente em dia. Em Dia.

Em dia de inverno, no fim de uma história. Sentado num banco de Hotel quase vazio, com um livro ao lado. O amor é uma forma de organização. Ocupa, arruma, decide por nós. Telefona-se antes de dormir, almoça-se de costas para o mar, discute-se tudo o que acontece. O amor. O amor tem os dias contados. Não se pode contar com a força dele.

Não se pode contar uma verdadeira história de amor. Quem é que a queria ouvir? Só uma história passada com outras pessoas. Só uma história parada antes de chegar ao fim.

Os sítios sabem mais que as palavras. Diz que sim. A coisas acontecem mais em elas do que em nós. As janelas altas estão todas a falar.

As janelas altas estão todas a falar durante o tempo inteiro que lá está. Quem sabe o que aconteceu? A luz entra a matar. Diz que sim. Diz que vai. É um dia de semana.Não há problemas. Não há atrasos. É um dia novo. Diz que sim. Pensando bem. Com a vida inteira á frente como se nunca tivesse amado. Não.Não como se nunca tivesse amado. Na verdade como se nunca tivesse sido amado. Porque afinal, à coisa mais pequena da vida morre a coisa maior."


Miguel Esteves Cardoso

julho 08, 2008

Oh Happy Days, oh happy days!

julho 04, 2008

julho 03, 2008


Quero-te
no secreto segredo de dizer-te
na asa da brisa repousada
no fulgor deste sol
no arrepio da água na levada
no sobressalto da pedra na falésia
no silêncio dos cumes
na claridade das madrugadas brancas
no respirar nocturno das ruelas
no calor do vinho a perfumar a boca
na solidão das mãos
na fímbria do desejo

(quero-te assim
longínquo e doce
terno e ausente)

só posso desejar-te nas palavras

Maria Aurora Carvalho Homem

julho 02, 2008

Eu podia estar mais perto

Do que eu queria para mim

Só que eu já não sei ao certo

Onde foi que eu pensei chegar

Peço à dor que se habitue

Se não for o caminho certo

Como é que o tempo o vai provar.


Manuel Cruz

junho 26, 2008

As ondas que se encontram
ainda agora em formação no espírito
dele já não vêm rebentar ao meu.

Por mim não volto a vê-lo, encontros houve
com ele dos quais a alma ficou cheia de dedadas.

Já nem sequer dele quero ouvir falar,
saber que se ele
fosse uma cama estaria por fazer nada me traz
agora além de desconforto.

Luís Miguel Nava


junho 25, 2008

To you



Seria hoje o teu aniversário.As lágrimas não secaram, a dor não desapareceu, as saudades são mais que muitas.Secretamente acredito que nos voltaremos a ver, estejas tu onde estiveres. Parabéns meu tudo.Aqui fica a "nossa" banda sonora.

junho 24, 2008

(...)

Podes dizer ao mundo inteiro que estas letras são tuas. assim como os
desenhos que fiz, os espaços que deixei. Podes dizer a toda a gente que um
dia te amei e que foste tu quem me fez poeta. Podes nadar em orgulho ao saber que todos os copos que bebi foram por ti. Que os cigarros que fumei
ansiosa e apressadamente foram pela saudade do teu corpo.

Quando falarem de raios e relâmpagos, de trovões e de tufões, vais poder
dizer que fui eu quem fez a China, quem ergueu muralhas e deitou as lágrimas
de sangue. Quando te perguntarem se um dia me conheceste, diz que sim.
Responde um afirmativo de poder e de vontade. Podes deixar o medo do conhe-
cimento alheio, agora que te sou realmente alheia. Quando um dia o mundo se
desfizer verdadeiramente em estações trocadas - o Verão pelo Outono ou o Inverno pela Primavera - aí podes descansar. Podes contar à galáxia e aos seus
sobreviventes que, meu eterno desconhecido, um dia me fizeste rainha.
(...)


José Eduardo Agualusa

junho 23, 2008

Querer-te é tudo, até o meu desejo de te não querer.


Victor Oliveira Mateus

junho 20, 2008

Quanto de ti, amor, me possuiu no abraço
em que de penetrar-te me senti perdido
no ter-te para sempre -
Quanto de ter-te me possui em tudo
o que eu deseje ou veja não pensando em ti
no abraço a que me entrego -
Quanto de entrega é como um rosto aberto,
sem olhos e sem boca, só expressão dorida
de quem é como a morte -
Quanto de morte recebi de ti,
na pura perda de possuir-te em vão
de amor que nos traiu -
Quanta traição existe em possuir-se a gente
sem conhecer que o corpo não conhece
mais que o sentir-se noutro -
Quanto sentir-te e me sentires não foi
senão o encontro eterno que nenhuma imagem
jamais separará -
Quanto de separados viveremos noutros
esse momento que nos mata para
quem não nos seja e só -
Quanto de solidão é este estar-se em tudo
como na ausência indestrutível que
nos faz ser um no outro -
Quanto de ser-se ou se não ser o outro
é para sempre a única certeza
que nos confina em vida -
Quanto de vida consumimos pura
no horror e na miséria de, possuindo, sermos
a terra que outros pisam -
Oh meu amor, de ti, por ti, e para ti,
recebo gratamente como se recebe
não a morte ou a vida, mas a descoberta
de nada haver onde um de nós não esteja.


Autor desconhecido

junho 19, 2008



A modos que a música é simplesmente linda, a letra uma maravilha, o video está brutal e a cereja em cima do bolo...Super Bock! ; p E viva o Verão e tudo o que com ele vem ( gajos e gajas e calor e corpos bronzeados e tudo e tudo e tudo!) Dá-me assim uns arrepios esta música que nem vos conto. Apetece-me logo dançar como se não houvesse amanhã! ; )

ps- Gajo que me apareça a fazer-me uma serenata com esta música, é anel no dedo e bora pra igreja! looool


All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
You do
I was made for you
You see the smile that's on my mouth
It's hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what
I've been through like you do
And I was made for you...
All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you


Brandy Carlile

junho 18, 2008

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exacto e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frémito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
subtilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mário Quintana

junho 17, 2008

Agora é a minha vez...



Nem sei bem explicar o que sinto ao ouvir esta música.As lágrimas correm, misto de alegria e saudade. Não de tristeza.Nunca de tristeza.Essa já ficou lá muito para trás, já adormeceu num sono do qual nunca acordará.Para ti my sweetest, aqui fica.Do you remember?

junho 16, 2008

Dizia-te do minuto certo. Do minuto certo do amor.
Dizia-te que queria olhar para os teus olhos e ter a certeza que pensavas em mim. Que me pensavas por dentro. Que era eu a tua fantasia, o teu banco de trás. O teu desconforto de calças caídas, de pernas caídas, da rua que não estava fechada porque nenhuma rua se fecha para o amor.
Na cidade do meu sono, havia palmeiras onde alguns repetiam charros e putas e atiravam pedras ao rio. Mas eu nunca gostei de clichés. Nem de quartos de hotel. Nem de camas que não conheço. Eu nunca abri as pernas no liceu. Nunca abri as pernas aos dezassete anos, de cigarro na mão. Eu nunca me comovi com o sonho de ser tua. Eu nunca quis que ficasses, entendes? Que viesses. Queria que quisesses de mim esse minuto certo, essa rua húmida de ser norte. Queria que me quisesses certa, exacta, como o minuto onde me pudesses encontrar. Eu nunca quis de ti uma continuidade. mas um alívio, uma noção de ser gente, entendes? Eu nunca quis de ti o sonho do sono ou da viagem. Nunca te pedi o pequeno-almoço, a ternura. Nunca te disse que me abraçasses por trás, que adormecesses. Eu nunca quis que me desses casa e filhos e lógica. Que me convidasses para dançar. Queria os teus olhos a fecharem-se comigo por dentro e tu por dentro de mim.


Queria de ti um minuto. Um minuto.

Filipa Leal

junho 13, 2008

Pior que a dor, é saber antecipadamente que vai doer,e ir em frente na mesma...

junho 12, 2008



Gosto de dançar esta música quando estou no chuveiro. Pronto, tá dito! ; p

Se eu não te amar mais me
Caia o mar nos ombros
Me caia
Este silêncio pelos ossos dentro
Me cegue os olhos esta sombra
Me cerre
Esta noite num escuro mais profundo
Do que a chuva de ti de mãos tão leves
A figueira do meu sangue se emudeça
De pássaros à espera dos teus passos
De outra voz por sobre a minha
Morta
E as ruas do teu corpo eu desaprenda
Como desaprendi os dedos que me tocam
E se eu não te amar mais me caia a casa
De costas no teu peito como o vento.



António Lobo Antunes

junho 11, 2008

Primeiro a tua língua molha o meu
coração, num vagar de fera. Estendo
aurículos e ventrículos sobre a mesa, entre
os copos, que desaparecem. Não há mais
ninguém no bar cheio de gente. Abres-me agora os
pulmões, um para cada lado, e sopras. Respiras-
-me. O laser das tuas palavras rasga-me o lobo
frontal do cérebro. A tua boca abre-se e fecha-se,
fecha-se e abre-se, avançando
por dentro da minha cabeça. As minhas cidades
ruem como rios, correndo para o fundo dos teus olhos.
O tempos estilhaça-se no fogo
preso das nossas retinas. O empregado do bar
retira da mesa o nosso passado e arruma-o na vitrine,
ao lado dos exércitos de chumbo.
Entramos um no outro,
abrindo e fechando as pernas
das palavras, estremecendo no suor dos
olhos abraçados, fazendo sexo
com a lava incandescente dessa revolução
imprevista a que damos o nome de amor.


Inês Pedrosa

junho 09, 2008


Deixar-me talvez, contigo.
...Sussurrar-me – [te].
O dia quase nasce.
Desejo dizer-te que estou aqui, agora.
Sei que sempre me pressentes, ou sabes. Sei.
Pergunto-me como poderias não saber?... Essa ideia é-me estranha.
Se também te sei.
O não sentar e olhar as nuvens de passagem de formatos bizarros o envolver-me em uma delas e deixar que me leve percorrendo a distância entre dois pontos que unidos traçam uma recta e nos colocam de lábios nos lábios, se eu também sei...


António José Pinto Correia

junho 06, 2008

Amor começa tarde

Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
o prémio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida.
Amor começa tarde.
Carlos Drummond de Andrade

junho 03, 2008


E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.
As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.

Rosa Lobato Faria