agosto 05, 2008

Teço delicadamente a angústia de não poder simplesmente abrir-te os braços como quem apanha o comboio para um país distante e nada tem como bagagem

(tu és esse país).

Não sabes como é isto. Este tecido que vai crescendo lento como uma manta que se deita sobre alguém que adormeceu

(queria fugir)

abruptamente. Não sabes como é isto. Querer tocar-te as sobrancelhas como quem se lembra de tocar piano com as mãos vagarosas e um pouco tristes

(abro o maço dos cigarros)

das mulheres que fazem renda de bilros, trocando as peças minuciosamente no mesmo ritmo de sempre. Não sabes como é olhar-te nessa elegância de pássaro e mandar para trás o dedo que se estende em direcção ao teu sorriso

(ponho um cigarro na boca como quem te morde as asas).

Teço delicadamente e de cor os contornos da tua cara toda. Sei de cor, sem nunca os ter tocado com a ponta da língua, os teus dentes que queria abrir como quem apanha o autocarro em direcção à noite e vai

(sem nada)

para se deixar estar. E tu não sabes como é isto. Querer simplesmente abrir-te a boca com o vagar de quem passeia entre castanheiros antigos e é um deles

(exactamente um deles)

à espera do fruto. Ponho um cigarro na boca. E o fumo sobe a traçar rotas para longe, que não sigo. Seguro a angústia entre os dedos

(médio e indicador)

com a mesma força de quem esmaga a beleza insuportável das tuas pestanas. E eu gosto da tua cara apenas feita para contrariar a inutilidade dos meus dias. Tu não sabes como é isto. Querer tocar-te onde o teu cabelo nasce como quem põe as mãos debaixo de torrentes de água fria

(e não estremece).

Eu gosto das tuas pernas magras que não andam como as demais. Dos teus braços estreitos como asas desengonçadas. Das tuas mãos que nunca pousaste sobre mim. Da tua barriga lisa e constante onde

(se)

podia afogar toda a angústia que é amar-te sem o tacto. O mesmo sentido que uso para abrir maços de cigarros e tomá-los entre os dedos, um atrás do outro, com a mesma urgência com que te tomaria o sexo

(esse país).

Eu gosto dos teus ombros que inclinas suavemente como um olhar que se perde no chão e não consegue encontrar o caminho de regresso. E tu não sabes como é isto. Querer endireitar-te os ombros. Dar-te um mapa que os teus olhos pudessem seguir sempre e nunca em frente

(a transparência).

Teço delicadamente a angústia de te amar sem

(sentido)

o amor táctil que votamos às coisas importantes

(os livros, os maços de cigarros)

e sob a a manta abrupta

(impalpável)

adormeço.

Caetano Veloso

agosto 04, 2008

Prendes num dia o que desligas noutro,
e entre o não e o sim não há meio termo:
o passo dado em frente com desvelo
revolta após por pouco duradouro.

Negas agora mas depois afirmas
e quando afirmas saberás negar:
ponteiro de um relógio que não gira
e quando gira é como se parasse.

Um cão fiel à infidelidade:
um infiel fazendo a guerra santa
com tanta santidade e temperança
que se desdiz ao prosseguir p'ra trás.



António Salvado

agosto 01, 2008

"Odeio quem me rouba a solidão

sem em troca

me oferecer

verdadeira companhia"

Nietzsche


julho 30, 2008

Não pude ser
o teu amor perfeito,
antes esta ferida.
Por isso para ti
não serei a pele
— poro a poro teu alumbramento —
serei apenas a cicatriz.

Perfeita.

Neide Archanjo

julho 29, 2008


De mim a ti, de ti a mim,
quem de tão longe alguma vez regressa?

Jorge de Sena


julho 24, 2008


E como amanhã é o aniversário de "Zézinho", que não trabalha e planeia estar o dia todo de papo para o ar a descansar na "picine", a ganhar forças para a noite violenta que já se adivinha, que não se vai nem aproximar de um computador e que as únicas teclas em que pretende tocar, são as do telemóvel para receber os milhares ( ok...centenas...errr...dezenas pronto! ) de mensagens e de chamadas, características da época festiva, aqui fica já adiantado o post...

Parabéns a miiiiiiiiiiimmmmmm!!!!!


julho 23, 2008

Não queria contigo mais nada
senão aquilo que quero. Aquilo
que quero é que não quero e o
que não quero quero tanto.
Querer ou não querer não é a
questão; a questão é querer o
não querer ou vice-versa que
para aqui é pura conversa.
Resumindo, não querer é um
desperdício quando se trata de
ti, querida, que te quero como
um crente carente de sacrifício.

Quando o vento se levanta e passa, tua cabeça adormecida põe-se a brilhar. Em redor dela um halo de sombra onde a minha mão entra, vagarosamente, pedindo-te um sinal. / Procuro o rosto com os dedos afiados pelo desejo. Toco a alba das pálpebras que, de súbito, se abrem para mim. / Um fio de luz coalha na saliva do lábio. / Ouvimos o mar, como se tivéssemos encostado a cabeça ao peito um do outro. Mas não há repouso nesta paixão. / O dia cresce, sem luz – e os pássaros soltam-se do pólen dos sonhos, embatem contra os nossos corpos. / Nada podemos fazer. / Um risco de passos ensanguentados alastra pelo chão da cidade. A noite cerca-nos, devora-nos. Estamos definitivamente sozinhos./ Começamos, então, a imitar a vida um do outro. E, abraçados amamo-nos como se fosse a última vez… (...)

Al Berto


julho 22, 2008

Time has told me

Time has told me
You're a rare rare find
A troubled cure
For a troubled mind.
And time has told me
Not to ask for more
Someday our ocean
Will find its shore.
So I`ll leave the ways that are making me be
What I really don't want to be
Leave the ways that are making me love
What I really don't want to love.
Time has told me
You came with the dawn
A soul with no footprint
A rose with no thorn.
Your tears they tell me
There's really no way
Of ending your troubles
With things you can say.
And time will tell you
To stay by my side
To keep on trying
'til there's no more to hide.
So leave the ways that are making you be
What you really don't want to be
Leave the ways that are making you love
What you really don't want to love.
Time has told me
You're a rare rare find
A troubled cure
For a troubled mind.
And time has told me
Not to ask for more
For some day our ocean
Will find its shore.


Nick Drake

julho 17, 2008

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mais beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.


Jorge de Sena

julho 15, 2008

Pensamento positivo... ; )

No final, tudo dá certo. Se ainda não deu certo é porque ainda não acabou.


Zélia Cardoso de Melo

julho 14, 2008

Se há uma coisa que eu sei
É que não há dentro e fora
Pois a não ser assim,
Como podias tu estar
Ao mesmo tempo
Dentro e fora
De mim?

Outra coisa que eu sei,
É que quando duas coisas
Entre si se atraem
Ao mesmo tempo se repelem,
Pois só assim podem ser
Duas e uma só coisa.

E sei ainda outra coisa
Talvez seja o que sei melhor,
Que sei pouca coisa
E posso sempre saber mais,
Desde que seja paciente
E nada queira saber.


Luís Ene

julho 10, 2008

E pronto pah....



De modos que é isto, não consigo evitar mesmo...Dá-me assim umas vontades de dançar quando oiço isto, parece que fico possuída pelo demónio ; p Não sei se é da boa disposição que paira sobre mim nestes últimos dias ( que se prolongue por muuuuuito tempo ósefazfabor! )se é de qualquer outra coisa..Tipo uma força extra terrestre ou assim...lol Mas o que é certo é que " I don't know what you do but you do it well...", la, la, la, la!

julho 09, 2008


" Podia ser o fim de qualquer amor. É sempre nos mesmos sítios. Diz que sim. Na alma bate a mesma chuva pesada. o tempo levanta-se contra quem o tem.O riso não separa os dias uns dos outros. Está o coração entreaberto. A vida nota-se em demasia.

A vida nota-se em demasia numa sala escura. O amor chama muito. As pessoas deixam-se prender pela luz. Fazem fogo fácil. Param. E não fica nada.

E não fica nada daquele dia branco. Um dia olhou para as mãos de quem amou e já não se viu dentro delas.

Agora lembra-se do dia em que quis ser igual a ela. E do que nunca lhe disse."Se te visses uma única vez, se te sentasses á tua frente e te ouvisses a falar, se te pudesses segurar, percebias porque é que as pessoas se apaixonam por ti". Ás vezes a verdade é a última coisa que se pode dizer. Ele não disse, ela não ouviu e nada ficou. Nem sequer para lembrar. Quando a paixão é tão grande nenhuma memória presta. Fica só muito tempo.

Fica só muito tempo do tempo todo que não se soube como passou. O amor é um trabalho de atenção. Diz que sim. Basta um abrir e fechar de olhos e perdeu-se. E o coração lançado à rua, desempregado de repente. Num dia de sol. O amor é uma força que não presta para mais nada. O que é que se pode fazer?

O que se pode fazer quando o amor nos larga? De repente há tempo para ler, tempo para os amigos, tempo para o trabalho, tempo para o olhar. Diz que sim. Há tempo para tudo, mas é tudo sem querer. E depois um dia acorda-se, vai-se á mesa, lê-se a última página do último livro que se tinha para ler, abre-se a agenda, e verifica-se que tudo está em ordem e que se está finalmente em dia. Em Dia.

Em dia de inverno, no fim de uma história. Sentado num banco de Hotel quase vazio, com um livro ao lado. O amor é uma forma de organização. Ocupa, arruma, decide por nós. Telefona-se antes de dormir, almoça-se de costas para o mar, discute-se tudo o que acontece. O amor. O amor tem os dias contados. Não se pode contar com a força dele.

Não se pode contar uma verdadeira história de amor. Quem é que a queria ouvir? Só uma história passada com outras pessoas. Só uma história parada antes de chegar ao fim.

Os sítios sabem mais que as palavras. Diz que sim. A coisas acontecem mais em elas do que em nós. As janelas altas estão todas a falar.

As janelas altas estão todas a falar durante o tempo inteiro que lá está. Quem sabe o que aconteceu? A luz entra a matar. Diz que sim. Diz que vai. É um dia de semana.Não há problemas. Não há atrasos. É um dia novo. Diz que sim. Pensando bem. Com a vida inteira á frente como se nunca tivesse amado. Não.Não como se nunca tivesse amado. Na verdade como se nunca tivesse sido amado. Porque afinal, à coisa mais pequena da vida morre a coisa maior."


Miguel Esteves Cardoso

julho 08, 2008

Oh Happy Days, oh happy days!

julho 04, 2008

julho 03, 2008


Quero-te
no secreto segredo de dizer-te
na asa da brisa repousada
no fulgor deste sol
no arrepio da água na levada
no sobressalto da pedra na falésia
no silêncio dos cumes
na claridade das madrugadas brancas
no respirar nocturno das ruelas
no calor do vinho a perfumar a boca
na solidão das mãos
na fímbria do desejo

(quero-te assim
longínquo e doce
terno e ausente)

só posso desejar-te nas palavras

Maria Aurora Carvalho Homem

julho 02, 2008

Eu podia estar mais perto

Do que eu queria para mim

Só que eu já não sei ao certo

Onde foi que eu pensei chegar

Peço à dor que se habitue

Se não for o caminho certo

Como é que o tempo o vai provar.


Manuel Cruz

junho 26, 2008

As ondas que se encontram
ainda agora em formação no espírito
dele já não vêm rebentar ao meu.

Por mim não volto a vê-lo, encontros houve
com ele dos quais a alma ficou cheia de dedadas.

Já nem sequer dele quero ouvir falar,
saber que se ele
fosse uma cama estaria por fazer nada me traz
agora além de desconforto.

Luís Miguel Nava


junho 25, 2008

To you



Seria hoje o teu aniversário.As lágrimas não secaram, a dor não desapareceu, as saudades são mais que muitas.Secretamente acredito que nos voltaremos a ver, estejas tu onde estiveres. Parabéns meu tudo.Aqui fica a "nossa" banda sonora.

junho 24, 2008

(...)

Podes dizer ao mundo inteiro que estas letras são tuas. assim como os
desenhos que fiz, os espaços que deixei. Podes dizer a toda a gente que um
dia te amei e que foste tu quem me fez poeta. Podes nadar em orgulho ao saber que todos os copos que bebi foram por ti. Que os cigarros que fumei
ansiosa e apressadamente foram pela saudade do teu corpo.

Quando falarem de raios e relâmpagos, de trovões e de tufões, vais poder
dizer que fui eu quem fez a China, quem ergueu muralhas e deitou as lágrimas
de sangue. Quando te perguntarem se um dia me conheceste, diz que sim.
Responde um afirmativo de poder e de vontade. Podes deixar o medo do conhe-
cimento alheio, agora que te sou realmente alheia. Quando um dia o mundo se
desfizer verdadeiramente em estações trocadas - o Verão pelo Outono ou o Inverno pela Primavera - aí podes descansar. Podes contar à galáxia e aos seus
sobreviventes que, meu eterno desconhecido, um dia me fizeste rainha.
(...)


José Eduardo Agualusa

junho 23, 2008

Querer-te é tudo, até o meu desejo de te não querer.


Victor Oliveira Mateus

junho 20, 2008

Quanto de ti, amor, me possuiu no abraço
em que de penetrar-te me senti perdido
no ter-te para sempre -
Quanto de ter-te me possui em tudo
o que eu deseje ou veja não pensando em ti
no abraço a que me entrego -
Quanto de entrega é como um rosto aberto,
sem olhos e sem boca, só expressão dorida
de quem é como a morte -
Quanto de morte recebi de ti,
na pura perda de possuir-te em vão
de amor que nos traiu -
Quanta traição existe em possuir-se a gente
sem conhecer que o corpo não conhece
mais que o sentir-se noutro -
Quanto sentir-te e me sentires não foi
senão o encontro eterno que nenhuma imagem
jamais separará -
Quanto de separados viveremos noutros
esse momento que nos mata para
quem não nos seja e só -
Quanto de solidão é este estar-se em tudo
como na ausência indestrutível que
nos faz ser um no outro -
Quanto de ser-se ou se não ser o outro
é para sempre a única certeza
que nos confina em vida -
Quanto de vida consumimos pura
no horror e na miséria de, possuindo, sermos
a terra que outros pisam -
Oh meu amor, de ti, por ti, e para ti,
recebo gratamente como se recebe
não a morte ou a vida, mas a descoberta
de nada haver onde um de nós não esteja.


Autor desconhecido

junho 19, 2008



A modos que a música é simplesmente linda, a letra uma maravilha, o video está brutal e a cereja em cima do bolo...Super Bock! ; p E viva o Verão e tudo o que com ele vem ( gajos e gajas e calor e corpos bronzeados e tudo e tudo e tudo!) Dá-me assim uns arrepios esta música que nem vos conto. Apetece-me logo dançar como se não houvesse amanhã! ; )

ps- Gajo que me apareça a fazer-me uma serenata com esta música, é anel no dedo e bora pra igreja! looool


All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
You do
I was made for you
You see the smile that's on my mouth
It's hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what
I've been through like you do
And I was made for you...
All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you


Brandy Carlile

junho 18, 2008

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exacto e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frémito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
subtilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mário Quintana

junho 17, 2008

Agora é a minha vez...



Nem sei bem explicar o que sinto ao ouvir esta música.As lágrimas correm, misto de alegria e saudade. Não de tristeza.Nunca de tristeza.Essa já ficou lá muito para trás, já adormeceu num sono do qual nunca acordará.Para ti my sweetest, aqui fica.Do you remember?

junho 16, 2008

Dizia-te do minuto certo. Do minuto certo do amor.
Dizia-te que queria olhar para os teus olhos e ter a certeza que pensavas em mim. Que me pensavas por dentro. Que era eu a tua fantasia, o teu banco de trás. O teu desconforto de calças caídas, de pernas caídas, da rua que não estava fechada porque nenhuma rua se fecha para o amor.
Na cidade do meu sono, havia palmeiras onde alguns repetiam charros e putas e atiravam pedras ao rio. Mas eu nunca gostei de clichés. Nem de quartos de hotel. Nem de camas que não conheço. Eu nunca abri as pernas no liceu. Nunca abri as pernas aos dezassete anos, de cigarro na mão. Eu nunca me comovi com o sonho de ser tua. Eu nunca quis que ficasses, entendes? Que viesses. Queria que quisesses de mim esse minuto certo, essa rua húmida de ser norte. Queria que me quisesses certa, exacta, como o minuto onde me pudesses encontrar. Eu nunca quis de ti uma continuidade. mas um alívio, uma noção de ser gente, entendes? Eu nunca quis de ti o sonho do sono ou da viagem. Nunca te pedi o pequeno-almoço, a ternura. Nunca te disse que me abraçasses por trás, que adormecesses. Eu nunca quis que me desses casa e filhos e lógica. Que me convidasses para dançar. Queria os teus olhos a fecharem-se comigo por dentro e tu por dentro de mim.


Queria de ti um minuto. Um minuto.

Filipa Leal

junho 13, 2008

Pior que a dor, é saber antecipadamente que vai doer,e ir em frente na mesma...

junho 12, 2008



Gosto de dançar esta música quando estou no chuveiro. Pronto, tá dito! ; p

Se eu não te amar mais me
Caia o mar nos ombros
Me caia
Este silêncio pelos ossos dentro
Me cegue os olhos esta sombra
Me cerre
Esta noite num escuro mais profundo
Do que a chuva de ti de mãos tão leves
A figueira do meu sangue se emudeça
De pássaros à espera dos teus passos
De outra voz por sobre a minha
Morta
E as ruas do teu corpo eu desaprenda
Como desaprendi os dedos que me tocam
E se eu não te amar mais me caia a casa
De costas no teu peito como o vento.



António Lobo Antunes

junho 11, 2008

Primeiro a tua língua molha o meu
coração, num vagar de fera. Estendo
aurículos e ventrículos sobre a mesa, entre
os copos, que desaparecem. Não há mais
ninguém no bar cheio de gente. Abres-me agora os
pulmões, um para cada lado, e sopras. Respiras-
-me. O laser das tuas palavras rasga-me o lobo
frontal do cérebro. A tua boca abre-se e fecha-se,
fecha-se e abre-se, avançando
por dentro da minha cabeça. As minhas cidades
ruem como rios, correndo para o fundo dos teus olhos.
O tempos estilhaça-se no fogo
preso das nossas retinas. O empregado do bar
retira da mesa o nosso passado e arruma-o na vitrine,
ao lado dos exércitos de chumbo.
Entramos um no outro,
abrindo e fechando as pernas
das palavras, estremecendo no suor dos
olhos abraçados, fazendo sexo
com a lava incandescente dessa revolução
imprevista a que damos o nome de amor.


Inês Pedrosa

junho 09, 2008


Deixar-me talvez, contigo.
...Sussurrar-me – [te].
O dia quase nasce.
Desejo dizer-te que estou aqui, agora.
Sei que sempre me pressentes, ou sabes. Sei.
Pergunto-me como poderias não saber?... Essa ideia é-me estranha.
Se também te sei.
O não sentar e olhar as nuvens de passagem de formatos bizarros o envolver-me em uma delas e deixar que me leve percorrendo a distância entre dois pontos que unidos traçam uma recta e nos colocam de lábios nos lábios, se eu também sei...


António José Pinto Correia

junho 06, 2008

Amor começa tarde

Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
o prémio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida.
Amor começa tarde.
Carlos Drummond de Andrade

junho 03, 2008


E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.
As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.

Rosa Lobato Faria

maio 30, 2008

É tão natural
que eu te possua
é tão natural que tu me tenhas,que eu não me compreendo
um tempo houvesse
em que eu não te possuísse
ou possa haver um outro
em que eu não te tomaria.
Venhas como venhas,é tão natural que a vida
em nossos corpos se conflua,que eu já não me consinto
que de mim tu te abstenha
sou que meu corpo te recuse
venhas quando venhas.E de ser tão naturalque eu me extasie
ao contemplar-te,e de ser tão natural
que eu te possua,em mim já não há como extasiar-me
tanto a minha forma
se integrou na forma tua.
Affonso Romano de Sant'Anna

maio 29, 2008

Leio o amor no livro
da tua pele; demoro-me em cada
sílaba, no sulco macio
das vogais, num breve obstáculo
de consoantes, em que os meus dedos
penetram, até chegarem
ao fundo dos sentidos. Desfolho
as páginas que o teu desejo me abre,ouvindo o murmúrio de um roçar
de palavras que se
juntam, como corpos, no abraço
de cada frase. E chego ao fim para voltar ao princípio, decorando
o que já sei, e é sempre novo
quando o leio na tua pele.
Nuno Júdice

maio 28, 2008

Diz-me o teu nome - agora, que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão
com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e os
lobos mancham o lençol da neve com os
sinais da sua fome.
Sopra-mo no ouvido,como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o
nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e arde
como a primeira menta da infância.
Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.


Maria do Rosário Pedreira

maio 27, 2008

Esta é dedicada a certa e determinada pessoa, ah pois é!




you can hold her hand
and show her how you cry
explain to her your weakness so she understands
and then roll over and die
or you can brave decisions
before you crumble up inside
spend your time asking everyone else's permission
then run away and hide
you can sit on chimneys
put some fire up your ass
no need to know what you're doing or waiting for
but if anyone should ask..
tell them i've been lickin' coconut skins
and we've been hanging out
tell them god just dropped by to forgive our sins
and relieve us our doubt

you can hold her eggs
but your basket has a hole
you can like between her legs and go looking for..
tell her you're searchin' for her soul
or you can wait for ages
watch your compost turn to coal
but time is contagious
everybody's getting old
so you can sit on chimneys
put some fire up your ass
no need to know what you're doing or looking for
but if anyone should ask..
tell them i've been cookin' coconut skins
and we've been hanging out
tell them god just dropped by to forgive our sins
and relieve us our doubt

Damien Rice

maio 26, 2008


Amor, amor, amor, como não amam
os que de amor o amor de amar não sabem,
como não amam se de amor não pensam
os que de amar o amor de amar não gozam.
Amor, amor, nenhum amor, nenhum
em vez do sempre amar que o gesto prende
o olhar ao corpo que perpassa amante
e não será de amor se outro não for
que novamente passe como amor que é novo.
Não se ama o que se tem nem se deseja
o que não temos nesse amor que amamos,
mas só amamos quando amamos o acto
em que de amor o amor de amar se cumpre.
Amor, amor, nem antes, nem depois,
amor que não possui, amor que não se dá,
amor que dura apenas sem palavras tudo
o que no sexo é o sexo só por si amado.
Amor de amor de amar de amor tranquilamente
o oleoso repetir das carnes que se roçam
até ao instante em que paradas tremem
de ansioso terminar o amor que recomeça.
Amor, amor, amor, como não amam
os que de amar o amor de amar o amor não amam.
Jorge de Sena

maio 23, 2008

A vida inteira esperei por
alguém como tu.
Mesmo sabendo que não sei como és.
E mesmo que
ainda não se tenha passado
a vida inteira.


Jorge Reis de Sá

maio 21, 2008

I don't love you as if you were the salt-rose, topaz
or arrow of carnations that propagate fire: I love you as certain dark things
are loved,
secretly, between the shadow and the soul.
I love you as the plant that doesn't bloom and carries
hidden within itself the light of those flowers,
and thanks to your love, darkly in my body
lives the dense fragrance that rises from the earth.
I love you without knowing how, or when, or from where,
I love you simply, without problems or pride:
I love you in this way because I don't know any other way of loving
but this, in which there is no I or you,
so intimate that your hand upon my chest is my hand,
so intimate that when I fall asleep it is your eyes that close.
Pablo Neruda

maio 20, 2008

Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
Ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
Magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
Por isso, de deixar alguns sinais - um peso
Nos olhos, no lugar da tua imagem, e
Um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
Tivessem roubado o tacto. São estas as formas
Do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
As coisas simples também podem ser complicadas,
Quando nos damos conta da diferença entre o sonho e a realidade.
Porém, é o sonho que me traz a tua memória; e a
Realidade aproxima-me de ti, agora que
Os dias correm mais depressa, e as palavras
Ficam presas numa refracção de instantes,
Quando a tua voz me chama de dentro de
Mim - e me faz responder-te uma coisa simples,
Como dizer que a tua ausência me dói.

Nuno Júdice

maio 19, 2008



Agora que o Sr. vai desta para melhor ( pobrezito pah! ) aqui fica uma música maravilha para relembrar o homem. Mais uma das muito más mas que eu, para variar, adoro. E o filme?? Minha mãezinha o que eu gostava disto. E ainda gosto ; p Mesmo depois de visto umas 34.752 vezes ; )

maio 15, 2008

Como nunva vieste, já não venhas.
O mais rico tesouro é o que se nega.
Ágil veleiro doutros mares, navega
Com as asas que tenhas!
Foge de ti, porque de mim fugiste.
Alarga a solidão que me consome.
E apaga na memória a praia triste
Onde eu pergunto às ondas o teu nome.
Miguel Torga

maio 12, 2008

Amor Cão


Faz hoje dois anos o meu mais fiel amor. Parabéns meu picolho lindo! ; )

maio 09, 2008

"There's something to be said about a glass half full, about knowing when to say when. I think it's more of a floating line, a barometer of need. Of desire. It's entirely up to the individual, and it depends what's being poured. Sometimes all we want is a taste. Other times there's no such thing as enough, the glass is bottomless... all we want is more."

Grey´s Anatomy

maio 08, 2008

Só...

Sós,
irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós
e ninguém nos conhece.
Os que passam e os que ficam.
Todos se desconhecem.
Os astros nada explicam:
Arrefecem.
Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se de outro se refracta,
nenhum ser nós se transmite.
Quem sente o meu sentimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o meu sofrimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem estremece este meu estremecimento
sou eu só, e mais ninguém.
Dão-se os lábios, dão-se os braços
dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mil segredos
dão-se em pasmados compassos;
dão-se as noites, e dão-se os dias,
dão-se aflitivas esmolas,
abrem-se e dão-se as corolas
breves das carnes macias;
dão-se os nervos, dá-se a vida,
dá-se o sangue gota a gota,
como uma braçada rota
dá-se tudo e nada fica.
Mas este íntimo secreto
que no silêncio concreto,
este oferecer-se de dentro
num esgotamento completo,
este ser-se sem disfarçe,
virgem de mal e de bem,
este dar-se, este entregar-se,
descobrir-se, e desflorar-se,
é nosso de mais ninguém.
António Gedeão

maio 07, 2008

Há algum tempo recebi este mimo de um amigo,encontrado por terras alentejanas. Sorriso fácil e meiguice no olhar, sempre curioso e observador. Guardo, embora poucas, muito boas memórias tuas. Aqui fica a homenagem.Um beijo para ti Carlos.


desculpa se me
atraso, minha amiga.
meu corpo está cansado
e não quer segurar o tempo.
estes vocábulos
perderam o comboio,
inspirados nas reminiscências
que vivemos num espaço
transformado
pela distância.
a loucura do encontro
permanece
e meu esquecimento está congelado.
(continuas a subir a escada do mundo?)
este teu sinal,
abriu-me o sorriso
da calçada, de um copo de cerveja,
das palavras que se soltaram
na calma de um alentejo
sem fim.
e gosto de chamar
a isto:vida
pelo menos enquanto estou deste lado.
Carlos Boita

maio 06, 2008

"Os homens são brutos e insensíveis.Matam mais criancinhas, portam-se pior à mesa, cospem e coçam-se mais.Os homems - e sobretudo os homens que gostam de mulheres - são menos inteligente, menos delicados e menos civilizados que as mulheres. A única coisa que têm a favor deles, à parte certas características discutíveis, como serem menos histéricos, é as mulheres gostarem deles.Por que é que a mulheres gostam dos homens?Como lésbica que sou nunca entendi.. ''
Miguel Esteves Cardoso

maio 05, 2008

"a noite jorra silêncio de estrelas e de mar, cobre de cintilações a terra lavrada, vergam-se pinheiros à luz do luar, a resina enegrece os dedos. ouve-se o rebentar das ondas, adormeço. marulhares sobem ao peito entorpecido pelo vinho e pelo haxixe.
olho-te dormir, a cabeça entornada sobre o meu ombro. sei que do meu corpo doente fizeste a tua praia.
…
são duas da tarde, uma maneira de festejar a noite em pleno dia. estou sozinho, almoço. o calor envolve-me como uma planta invisível, insaciável. sufoca-me, beija-me os dedos cansados de tamborilar na mesa. o restaurante está quase vazio.
do extremo longínquo doutra mesa olhas-me com insistência. sim, talvez no próximo verão, quando o buço imitar um frágil bigode, quando tiveres deixado de andar de bicicleta e vieres acampar sozinho. esboço um sinal imperceptível, sorris. uma destas noites irei contigo para me devolveres o olhar que te emprestei.
mas aproximaste-te, headphones, óculos escuros, uma luva negra na mão esquerda, o cabelo revolto pelos ombros, um sorriso nos lábios capaz de escurecer o dia.
invento uma paisagem para estar contigo, gasto os dias a passear pelos campos à espera que voltes da praia. o tempo foi sempre a minha ruína…
caminho pela imensidão das águas, perco-te. anoto no caderno: esta noite falaremos sobre uma paixão. que mais faremos com os corpos?
tudo abandonei, já não consigo voar com as aves, nem possuo a imagem dos rostos felizes. não me lembro onde larguei a velha gabardina que nos abrigou tantos invernos. as estrelas cintilam sobre as pedras polidas pelas marés. a cal estalada dos muros revela antigas paisagens. ignoro se permanecerei aqui muito tempo.
estávamos em julho, fechei o caderno contigo dentro, nunca mais voltei a apaixonar-me."
Al Berto

maio 01, 2008

" se o teu coração quebrou ao meio..deita fora o que te dói,
e vive em paz com a metade que te cura.
o contrário, tentar esperar que tudo passe,
tentar esquecer o que te fez feliz.
tentar apagar da memória quem te fez bem.
esperar que o tempo apague..
não te enganes,esse remédio .. só prolonga os teus dias doentes."
Hamlet

abril 30, 2008

Ouvida over and over and over again...




Well I held you like a lover
Happy hands and your elbow in the appropriate place

And we ignored our others, happy plans
For that delicate look upon your face

Our bodies moved and hardened
Hurting parts of your garden
With no room for a pardon
In a place where no one knows what we have done

Do you come
Together ever with him?
And is he dark enough?
Enough to see your light?
And do you brush your teeth before you kiss?
Do you miss my smell?
And is he bold enough to take you on?
Do you feel like you belong?
And does he drive you wild?
Or just mildly free?
What about me?

Well you held me like a lover
Sweaty hands
And my foot in the appropriate place

And we use cushions to cover
Happy glands
In the mild issue of our disgrace

Our minds pressed and guarded
While our flesh disregarded
The lack of space for the light-hearted
In the boom that beats our drum

Well I know I make you cry
And I know sometimes you wanna die
But do you really feel alive without me?
If so, be free
If not, leave him for me
Before one of us has accidental babies
For we are in love

Do you come
Together ever with him?
Is he dark enough?
Enough to see your light?
Do you brush your teeth before you kiss?
Do you miss my smell?
And is he bold enough to take you on?
Do you feel like you belong?
And does he drive you wild?
Or just mildly free?

What about me?
What about me?


Damien Rice
É justo estar com alguém que não amamos mas que nos ajuda a tentar esquecer quem amamos?

abril 29, 2008

" ... se eu pudesse trincar a terra toda,
e sentir-lhe um paladar, seria mais feliz um momento..
mas eu nem sempre quero ser feliz
é preciso ser de vez em quando infeliz,
para se poder ser natural
porque nem tudo é dias de sol, e, a chuva,
quando falta muito, pede-se
por isso tomo a infelicidade com a felicidade,
naturalmente,como quem não estranha que haja montanhas e planícies,
e que haja rochedos e erva
o que é preciso é ser-se natural e calmo,
na felicidade ou na infelicidade,
sentir como quem olha, pensar como quem anda,
e que o poente é belo e é bela a noite que fica
assim é e assim seja ... "
Alberto Caeiro

abril 24, 2008

yes, I'll keep on dreaming : )



Dream on girl, Dream on girl
I want to see you sleep tonight
You’re up and down
You hit the ground
And time is drifting trough your fears

I can’t find your dreams tonight
And make your lover come back home
If you don’t know, you are on your own
I’ll choose the best days for your sleep

Come back to see the day you lost your heart
And odd your hopes
I’ll take you to see the sunrise and try to catch your ghost

Come on girl, a dream is your world
The signs you see are in your mind
The words that you speak are here in my ear
So I can hear you falling down

Take a breath to see me
I can wait for you to
Live your live with no hopes but
If you still believe…

Come back to see the day you lost your heart
And odd your hopes
I’ll take you to see the sunrise and try to catch your ghost.

Rita Red Shoes
Se me rio depois do amor
Não é zombar do sagrado
É puro contentamento
De algo que me foi dado
É só o deslumbramento
Dum momento revelado
Mal é depois do amor
Não haver vestígio dele
Cresce por dentro um vazio
Que nem as palavras preenchem
Suspensas por um fio
Depois do amor
Se eu me rir
Depois do amor
Se eu me rir
Da próxima vez que me rir
Já sabes foi o amor que cedeu
Da próxima vez que me rir
É porque o amor me inundou
E a sua água em nós correu
E o melhor veio depois
Porque então ríamos dois
Depois do amor
Se eu me rir
Depois do amor
Se eu me rir
Depois do amor
Se eu me rir
Clã

abril 23, 2008

Toda a razão...

"... se antes de cada acto nosso, nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis,não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar."
José Saramago

abril 22, 2008

Bonito pah!

i carry your heart with me(i carry it in
my heart) i am never without it(anywhere
i go you go,my dear;and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate(for you are my fate,my sweet) i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
i carry your heart(i carry it in my heart)

Cummings


Ah ganda Nick! Dê cá um jinho, vá... ; p

abril 18, 2008

"não é fácil gostar de alguém, mas quando se gosta, gosta-se e pronto, não há nada a fazer.pensamos na pessoa o dia todo e olhando para o tecto perguntamo-nos onde estará a outra pessoa naquele exacto momento em que pensamos nela. onde estás?ontem pensei em ti, hoje também, ainda agorinha mesmo estava a pensar em ti, e andamos nisto.gostamos de alguém, não me perguntem agora porquê,porque mesmo que vos quisesse dizer nunca saberia a resposta. eu não sei o porquê!as pessoas gostam de saber porque diacho gostamos nós de alguém e isto não é fácil de explicar.talvez por isso eu não percebo este amor que pensa e reflecte.para mim basta-me saber que gosto – e gosto – e perceber que o meu corpo responde por mim – e responde. não tem de haver pressa! – dizem alguns. não tem? ai não, que não tem!o desejo não me parece ser algo tranquilo, é exactamente o contrário, é stressadinho,fuma cigarro atrás de cigarro – saia da frente que tenho pressa! -, o desejo buzina ao cair do semáforo verde,é taxista em hora de ponta – saia daí senhor! -, quer passar à frente de todos tipo Chico esperto -,tem urgência em chegar, quer ser rápido para se manifestar junto de quem gosta.quando gosto de alguém, não quero saber se aquele ou o outro acredita nisso, não me interessa até perceber se ela própria acredita. o que me interessa mesmo é que eu saiba isso – e sei – é que eu acredite – e acredito – e que seja verdade – verdadinha."

Fernando Alvim


Banda sonora dos últimos dias...Ouvida umas 30000 vezes. Repeat,repeat,repeat...

abril 16, 2008

Está explicado...

www.bompovo.pt

"Take time to realize
That your warmth is
Crashing down on me
Take time to realize
That I am on your side
Well didn't I, didn't I tell you
But I can't spell it out for you
No it's never gonna be that simple
No I can't spell it out for you
If you just realize
What I just realized
That we'd be perfect for each other
And we'll never find another
Just realize
What I just realized
We'd never have to wonder
If we missed out on each other, now."
Colbie Cailat

abril 15, 2008

"Quando morre o desejo, quando o amor se esboroa - de quem é a culpa? Quem deixou que a chama se apagasse? Provavelmente um e outro, sem darem por isso - ou apenas o vento, o excesso de realidade, as deambulações de cada um dentro da sua própria vida. O "culpado" é, pressupõe-se, o "infiel". A Humanidade anda desde os alvores da História a dividir o mundo entre "fiéis" e "infiéis" (a um Deus, a um Senhor, a outro ser humano) e os resultados não têm sido propriamente brilhantes - não será tempo de mudarmos de modelo? Acresce que a infidelidade concreta, seja ela qual for, é sempre uma consequência, nunca uma causa - se A que amava B agora ama C, é porque havia dentro dele (ou dela) um espaço de amor (ou desejo, ou cumplicidade) por preencher. Os afectos não se comandam - é aliás por isso que a inteligência tem melhor imprensa do que os sentimentos; não nos dá jeito nenhum percebermos que, tão doutos que somos, tão superiores a cães, lagartos e leões, não temos controlo algum sobre os dados fundamentais das nossas vidas: o nascimento, o amor, a morte. Quantas vezes desejámos amar quem não amamos, e não amar quem, contra todas as razões, amamos? Quantas vezes soçobramos ao amor que nos faz mal depois de anos de esforço sincero para querer o amor que nos faz bem?
(...)O amor é um animal felino, mutante, não resiste a cativeiros forçados. Podemos ter a sorte de amar e ser amados "até que a morte nos separe" - mas a verdade é que só podemos prometer amarmo-nos até ao dia da morte do amor, esse ser misterioso, independente e livre. "
Inês Pedrosa


Leave me out with the waste
This is not what I do
It's the wrong kind of place
To be thinking of you
It's the wrong time
For somebody new
It's a small crime
And I've got no excuse

Is that alright?
Give my gun away when it's loaded
Is that alright?
If u don't shoot it how am I supposed to hold it
Is that alright?
Give my gun away when it's loaded
Is that alright
With you?

Leave me out with the waste
This is not what I do
It's the wrong kind of place
To be cheating on you
It's the wrong time
She's pulling me through
It's a small crime
And I've got no excuse

Is that alright?
I give my gun away when it's loaded
Is that alright?
If you dont shoot it, how am I supposed to hold it
Is that alright?
I give my gun away when it's loaded
Is that alright
Is that alright with you?

abril 14, 2008



Música de fazer filhos, devagarinho.. ; p

"De acordo com a minha experiência os homens fazem muito mais para evitar o que temem do que para obter o que desejam"

Dan Brown