junho 11, 2009
junho 08, 2009
So true
junho 06, 2009
Ruínas

Quando alguém nos desilude, dói muito. Custa dar o braço a torcer quando ouvimos o típico " Eu bem te avisei e tu não quiseste ouvir-me". Mas os amigos querem sempre o nosso bem e quando nos veem iludidas e a tentar alcançar as estrelas, puxam-nos as pernas e trazem-nos de volta à Terra. É preciso que assim seja. Fantasiamos, idealizamos, sonhamos e às vezes, a maior parte das vezes,construímos um mundo só nosso, que ninguém entende. Nem é para entender, é para respeitar e aceitar. Os amigos verdadeiros fazem isso. Mas chega a altura, aquela altura certa em que precisamos de levar um abanão, ouvir um grito de realidade e chorar. Chorar pela desilusão da ilusão criada. E dói. Muito. O nosso mundinho construído, de repente desaparece e só ficam algumas imagens distorcidas, cartas escritas e nunca enviadas, músicas que tanto nos disseram. É tentar encaixotar tudo isso em alguma parte do nosso cérebro, parte escura e de difícil acesso para só voltar a ser lembrado quando formos grandes e fortes. Porque tudo o que ali foi construído, foi com amor, com dedicação, com muita entrega. E a dor faz-nos ficar pequeninos, frágeis. Que fazer então? Aninharmo-nos no colo do amigo que nos ama e que só quer que estejamos em paz. E esperarmos que a dor desapareça. Quando alguém nos desilude, dói muito.
junho 03, 2009
junho 01, 2009
Answer
Na verdade, o amor é tudo o que se avista quando se observa o coração do planalto de um abraço. Diante desse horizonte – macio e vasto – há quem ache o amor uma moda acabrunhada, quem se empanturre de tudo o que permita que não se dê pela sua falta, e quem pressinta que amar é ver mais longe (de cada vez que os olhos se fecham devagarinho, simplesmente). Os primeiros perdem-se nos sonhos. Os segundos olham-nos de cima (e, supostamente, exultam diante da ventura de não sonhar). Os terceiros fazem dos sonhos o passadiço do amor. Os que se perdem nos sonhos falam da ausência do amor, timidamente, evocando o cansaço. Ou reclamam-no, simplesmente, invadindo de ira todos os seus gestos. No fundo, temem-no, de tanto o desejarem (protelando-o, sempre, para depois). Vivem amarrotados pela distância que vai entre tudo o que sonharam e as brumas dos dias (que não lhes tiram os desejos nem lhos trazem, de surpresa). E dão-se conta dos sonhos que se perderam sempre que, por acidente, esbarram em relações de sonho. Os que o olham de cima supõem que são as manhãs de sol quem abre as persianas pelo coração. Acham o amor uma relação fora de moda e o melhor que conseguem é encontrar a pessoa dos seus sonhos... para os próximos dias. Não compreendem que a sedução é uma defesa contra os abraços. E não concebem que a segurança seja contar com o amor de alguém (em vez de estar seguro que a pessoa com quem se conta não conte, seguramente, para mais ninguém). Já os outros reconhecem que, quando ponderamos acerca do que gostamos numa pessoa, já não gostamos dela: reparamos nos pormenores. E que, quanto mais preponderante é um amor, mais a iminência da sua perda nos revolve. Sabem, por mais que não as tenham, que há relações que iluminam a alma e que incendeiam a paixão. E que serão elas a quem chamamos amor. E que esse amor faz do que temos cá dentro uma democracia que nos torna, a todos, iguais nos sonhos e diferentes na forma de os vivermos. E é por isso que, diante das falhas do amor, somos todos crianças desamparadas entre um colo e as cavalitas (como se amar com resignação fosse uma casa de chocolate que, depois de nos distrair, acaba por nos comer). E que o que dói na dor é viverem dentro de nós pessoas que, perante o nosso sofrimento, digam, por palavras nossas: Afinal, quem és tu? Na verdade, amar é ver mais longe. Mais longe, até, do que se avista quando se observa o coração do planalto de um abraço. Saudar os sonhos com a inocência de quem procura neles um trilho especial. E perceber que tudo o que se sonha é pouco mais do que nada ao pé das relações que iluminam a alma e que incendeiam a paixão. E que só essas fazem dos sonhos o passadiço do amor.
maio 27, 2009
O quê?
maio 26, 2009
Por aqui concorda-se.
maio 22, 2009
maio 19, 2009
Vem aos meus sonhos
Vem aos meus sonhos, faz em mim a tua casa. Planta, em frente, a cerejeira dos pássaros brancos, deixa que eles pousem nos ramos e cantem eternamente, deixa que nas suas asas de luz eu leia o meu nome, antes de os relâmpagos acenderem os prados. Vem aos meus sonhos, vê os labirintos por onde me perco, vê os meus países do mar, vê, em cada barco que parte do meu coração, as viagens que não fiz, os amores que não tive, a luz cruel da minha solidão. Vem aos meus sonhos, traz um fio de água para as dálias do meu quarto vazio, não queiras que as suas pétalas sequem muito depressa, caindo pelos delicados muros de cristal, apagando a cor que dava vida aos aposentos do solitário. Deixa que ele evoque a secreta doçura das colmeias, e vem, vem aos meus sonhos, ilumina o meu domingo de cinzas, o meu domingo de ramos, o meu calvário, diz que estás aqui, nesta página que escrevo para nunca te esquecer.
maio 13, 2009
maio 02, 2009
abril 29, 2009
Não te pergunto
não te pergunto de onde chegas?,
porque sei para onde vais.
hoje é a hora exacta em que até o vento
até os pássaros desistem.
e a noite a teus pés é um instante
e um destino.
não te pergunto onde está o teu rosto,
tantas vezes ocluso e pisado sobre os ramos,
onde está o teu rosto?
nem te peço que incendeies o teu nome
numa nuvem nocturna,
nem te procuro.
és tu que me encontras.
ficas no rio que passa,
nada de um tempo que não existe,
nem correntes, nem pedra, nem musgo,
nem silêncio.
José Luís Peixoto
abril 23, 2009
Um dia
um dia, quando a ternura for a única regra da manhã, acordarei
entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela. e a luz
compreenderá a impossível compreensão do amor. um dia, quando
a chuva secar na memória, quando o inverno for tão distante,
quando o frio responder devagar como a voz arrastada de um velho,
estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da nossa janela.
sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso será culpa
minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi nem uma
palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar a
perfeição da felicidade.
José Luís Peixoto
abril 20, 2009
Kiss
Música de velas e incensos. De cigarros e lágrimas. De choro contido, de sentimentos mostrados. De lembranças tão vivas que os beijos são ainda sentidos como se acabassem de ser dados.De dança, de olhos fechados, de sorrisos, de toque, de arrepios.De dor, de nostalgia, de sentimento presente, de dádiva, de saudade.
" A kiss could have killed me if it would not for the rain."
abril 19, 2009
abril 17, 2009
abril 16, 2009
Faca e alguidar
ps - Vou só ali buscar a faca para cortar os pulsos : p Gosto, gosto, gosto da conchita : )




