novembro 11, 2008

Este pássaro que nasceu não sei de onde,
que atravessa com o seu voo a imprecisão
da minha noite, que rasga com a lâmina
das suas asas a mortalha da insónia,
foi apanhado por um caçador de furtivos
silêncios. Agora, debate-se na gaiola
do esquecimento; recusa o poleiro para
que o cansaço o empurra; despeja
o bebedouro do tédio que lhe trazem
com a alpista das palavras. Já não canta;
e os seus olhos reflectem um horizonte
cego, como se tivesse perdido o rumo
das migrações. Mas não morre; e
ouço-o debater-se dentro de mim, quando
lhe aceno com o azul, e uma esperança
de céu o obriga a sonhar.

Nuno Júdice


novembro 10, 2008

foto em deviantart
Nua és tão simples como uma de tuas mãos,
lisa, terrestre, mínima, redonda, transparente,
tens linhas de lua, caminhos de maçã,
nua és magra como o trigo nu.
Nua és azul como a noite em Cuba,
tens trepadeiras e estrelas no pêlo,
nua és enorme e amarela
como o verão numa igreja de ouro.
Nua és pequena como uma de tuas unhas,
curva, subtil, rosada até que nasça o dia
e te metes no subterrâneo do mundo
como num longo túnel de trajes e trabalhos:
tua claridade se apaga, se veste,
se desfolha
e outra vez volta a ser uma mão nua.
Pablo Neruda

ps - Sim J. Pablo Neruda, O carteiro de Pablo Neruda ; p


novembro 07, 2008

foto em deviantart

Algum dia eu haveria de entrar na normalidade dos que te amam. Amo-te. E dói escrevê-lo (que é pior, meu amor, do que dizê-lo). Amo-te absoluta, impossível e fatalmente. E ouço, adolescente, uma música adolescente, para me lembrar de ti, porque lembrar-me de ti é lembrar-me que não consigo esquecer-te. E ouço música porque ouvimos música quando amamos, e tudo, no amor é música, acústica da alma que quer ser devorada, e, neste caso, dor (tão deliciosamente insuportável) de amar sem sequência nem expectativa de contrapartida, amar unicamente o puro objecto que desgraçadamente amamos. Isto é uma carta de amor, e é possivelmente ridícula prova maior de que é, realmente, uma carta de amor), ou porque perdi o hábito de as escrever, ou porque nunca tive a coragem de as enviar. Não percebes porque é que não te falo? Ainda não percebes que, na personagem que de mim eu enceno, não cabe a ameaça de uma derrota, a antecipação do desencanto, a sombra de um vexame? Não te falo, para não saber que o que eu te digo é apenas a forma contida de te dizer outra coisa, mas que essa coisa não é do teu mundo, nem do mundo que eu construí, nem do precário mundo que a nossa fragilíssima ternura mútua arquitectou. E tudo isto é literário, eu sei, mas – que queres? -, a literatura é o melhor de mim e é o melhor de mim que vive dentro da minha cabeça quando estou contigo. E depois afastamo-nos. Beijo-te a correr, não sei se já reparaste, e quase fujo, porque sair de ao pé de ti é regressar ao que não és tu, o teu olhar e as tuas mãos, a tua alma e a tua voz, e isso, meu amor, transformou-se no insuportável intervalo entre dois encontros. Esta carta de amor é um excesso (e isso prova superiormente que é uma carta de amor): eu amo não a ideia de amar-te (durante muito tempo eu julguei que era apenas isso), mas a ideia de perder-me no meu amor por ti. E mesmo amar-te é um excesso, porque tudo aconselharia que eu me limitasse a mitificar-te, que é a melhor forma de evitarmos enfrentar a realidade. Porque a realidade, aqui, é como uma dor difusa, tu sabes como é, um incómodo ainda não localizado, que progressivamente se vai definindo e acertando, até que, insuportavelmente nítida, a sua imagem se nos impõe como uma evidência. A minha dor é que eu comecei a amar-te, sem o saber, durante aquele breve período de tempo em que sair de casa era a promessa reconfortante de ver-te e falar contigo. Eu não sabia, repito, mas o tempo ajudou-me a definir essa pequena dor, tão secretamente pavorosa: cada vez que estou contigo (cada vez mais, meu amor, cada vez mais) é como se a minha vida se virasse do avesso. E é verdade, é cada vez mais verdade, que, quando penso nas coisas que ainda me falta fazer na vida, é em ti que penso. E tenho medo, como um animal que instintivamente foge do que sabe não poder atingir. Eu penso em ti, ainda mais do que te digo, e tu estás em tudo, mesmo quando não te penso, tu és a grande razão, o horizonte sem nome que constantemente se desenha na minha imaginação de mim. Há uns anos, este seria o momento de desmontar o discurso desta carta, de te mostrar os subtis mecanismos da alma e da máscara, de desdizer ironicamente o que já disse, de insinuar que, afinal, as-coisas-talvez-não-sejam-exactamente-assim. Mas as coisas são exactamente assim, e a carta, que poderia transformar-se num confortável exercício paródico, é, inevitavelmente, uma agonia e um embaraço. Esta carta é um acto de puro egoísmo, que eu até talvez nem tivesse o direito de praticar. É-te incómoda, necessariamente, e isso bastaria para que eu me abstivesse de a enviar, dentro de um envelope azul. Mas o azul fica-te tão bem, e as cores todas em ti como tu ficas no mundo: exactamente. Mas, repito: esta carta é um acto de puro egoísmo, é como se não tivesse destinatário. E, no entanto, é preciso enviá-la para que seja uma carta de amor, para que faça sentido como carta. Para que seja amor. Mas podemos imaginar uma saída elegante: para que possas conservá-la como pura carta de amor, quero eu dizer, sem o embaraço de saberes que ela te foi escrita por alguém que não amas, não a assino. Dou-te tudo: até a hipótese de esta carta não ter sido escrita por mim. (E não, esta carta não pode ter sido escrita por mim. És tu – em mim – que me faz escrever o que eu não escrevo. E isso é – de novo – o melhor de mim.)


António Mega Ferreira

novembro 06, 2008


"Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra"


António Ramos Rosa





novembro 05, 2008


Um dia talvez faça sentido a tua fuga urgente
e fria
pela calada do silêncio.
Só então perdoarei o tempo
pela dor de não te ter tido
nem ter sabido de cor.

Podias ter sido um barco
a navegar no mesmo ritmo das ondas,
mas não. Quiseste ser vento contrário...

Mas tudo tem duas faces.
A tristeza é só a outra face da alegria
tal como a morte é só a outra face da vida.
Este amor tem duas faces:nós...
e nós somos apenas tu e eu,
o desencontro na volta lenta da vida
o reencontro além do tempo.

Logo chegará o dia
em que o teu espaço será o meu espaço
e o teu tempo será o meu tempo
e jamais haverá sinais a apontar destinos
proibidos.
Seremos apenas nós,
com a certeza de um amor sobrevivente
na memória longínqua do olhar.
E será pelo olhar que nos reconheceremos...

Hoje eu sei que não vou morrer por não te ter,
porque um dia
atravessarei o portão desconhecido
e, ainda que tu não saibas,
levar-te-ei comigo...

e se não posso ter-te aqui,
ter-te-ei além
onde os barcos navegam sem vento...

ainda que não te tenha nunca...


Maria José Quintela

outubro 28, 2008


Never give all the heart, for love
Will hardly seem worth thinking of
To passionate women if it seem
Certain, and they never dream
That it fades out from kiss to kiss;
For everything that's lovely is
But a brief, dreamy, kind delight.
O never give the heart outright,
For they, for all smooth lips can say,
Have given their hearts up to the play.
And who could play it well enough
If deaf and dumb and blind with love?
He that made this knows all the cost,
For he gave all his heart and lost.

Yeats

outubro 25, 2008

"Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
- eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
- E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
- não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço –
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave – qualquer
coisa extraordinária.
porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor

que te procuram."


Herberto Hélder


outubro 22, 2008

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envelhecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

Vinicius de Moraes

outubro 18, 2008




Por contraditório e estranho que pareça, esta música faz-me sorrir. Muito.

"Ah,don’t you feel alive
When you dance between my thoughts
You swore to come here everynight
Just to sing our song."


Fingertips

outubro 17, 2008

Tu dizes que não há outra forma de ficarmos perto
Não há como saber se o caminho é o certo
Só pode voar quem arriscar cair
Só se pode dar quem arriscar sentir

Mafalda Veiga

outubro 16, 2008

tinhas um jeito
que me domesticava
como a um cão faz o dono
encaravas-me como o resto
de uma refeição mal digerida

retraí os ombros
as mãos as pernas
continuei indiferente às horas
encerradas na lamúria do desejo

podia aguardar nos teus gestos
o amadurecimento das palavras
que cantei sem garganta

podia
mas não aguardei

agora
lamento apenas
que seja tão banal
o nosso amor

Henrique Bento Fialho


outubro 14, 2008

Morrerás em breve. É incontestável. E quanta verdade morrerá contigo sem saberes que a sabias.Só por não teres tido a sorte de num simples encontro ou encontrão ta fazerem vir ao de cima.

Vergilio ferreira



outubro 11, 2008

esquece-me. quero andar
ao sabor do meu instinto
cultivado na desgraça.

o amor,
- deixa um travo, mas passa.

não tenhas pena.

do alto do meu aprumo
desafio a tua verve:

- para morrer,
qualquer lugar,
qualquer corpo,
e qualquer boca me serve.

António Botto

outubro 07, 2008



Mais uma vez, gostei muito ; ) Cá um jinho Pacman, cá um jinho! ; p

outubro 04, 2008

outubro 03, 2008

Um amor meu, publicou o seguinte texto:

"Um dia... tu deixasses de existir? Como seriam os meus dias? Em que pessoa me tornaria? Como seriam as minhas noites? Sentir-me-ia desamparada?
Provavelmente sim. Os meus dias passariam devagar e o pôr do sol seria triste. Teria dificuldade em reencontrar-me e as minhas noites seriam frias e vazias... Sentiria falta dos teus abraços seguros e de te ver rir... Acharia que nunca mais seria capaz de encontrar alguém que me preenchesse tanto como tu... E tu não sabes disto.. Que o meu coração está nas tuas mãos.

Por isso, sê meigo... e faz-me sentir que não tenho que me preocupar com o que aconteceria se um dia tu não existisses."

Papillon

Pois aqui vai o que penso sobre isto...

Para mim, se existe amor, existe sempre o medo de perder quem amamos. Se esse medo não existir, então é porque não é amor o que sentimos. Só faz sentido uma relação em que há o medo de perder o outro. Não estou a falar num medo constante, que perturbe em todos os momentos, nada disso.Mas o medo que nos faz olhar para o lado e sentir uma dor no peito, sentir o coração a bater mais forte, se pensamos que a “nossa” pessoa, algum dia nos pode faltar. E quando essa pessoa nos falta, dói muito... Falta-nos o ar, falta-nos o chão, perdemos o norte e levamos tempo a nos recompor, ou às vezes, não nos recompomos mais. Continuamos porque temos de continuar, por nós e por aqueles que nos amam e que também estariam perdidos se alguma vez lhes faltássemos. Mas perder alguém que amamos, perder aquele amor maior, aquele amor que, por mais pessoas que conheças, por mais corpos que sintas, por mais nomes que repitas, nunca voltar a encontrar outro que a ele se assemelhe, dói e irá doer sempre. Com o tempo tudo vai cicatrizando, a dor vai esmorecendo e os olhos deixam o chão e começam a tentar ver de novo. Mas acredito, sei, que a tal dor continua a existir no peito, mais fina, menos aguda, mais fraca, mas sempre presente, sempre que nos permitimos e temos a coragem de recordar o tal amor maior... Só nos resta então, aceitar a falta desse amor e com essa falta viver ou tentar viver outros amores.


Com a certeza, minha querida Papillon, que poderá faltar-te o tal amor maior, esperando claro, que isso nunca te aconteça, mas fica sabendo que, o meu amor, esse, nunca te faltará...


outubro 02, 2008



Como diria um amigo meu " tu és tão velhinha...", e não, não se estava a referir à minha idade ; p , mas sim ao facto de continuar presa a recordações, a cheiros, a pessoas ou à ausência delas. E a músicas. Sempre presa a músicas que em determinada altura da minha vida me disseram alguma coisa e continuam a dizer. Esta é mais uma dessas músicas. Horrorosa para alguns, de vomitar para outros, pavorosa para muitos..lol Para mim,linda.Por muitas razões...

setembro 30, 2008

" o que eu gostava
era de poder falar na tua boca
para que as tuas palavras fossem minhas
e pudesse permanecer silencioso ao teu lado. "

Pedro Paixão

setembro 26, 2008




"Quero ver as cores que tu vês
Para saber a dança que tu és
Quero ser do vento que te faz
Quero ser do espaço onde estás

Fazes muito mais que o sol..."

setembro 24, 2008

Tu tão em mim que eu desapareci em ti.

Faiza Hayat

Não sei adormecer: a madrugada
respira num silêncio que é o teu
silêncio, nesta febre
a arder na minha alma tão antiga.

Lá fora os astros não respondem:
as montanhas diluem o tempo e o espaço
e todo o céu começa a dilatar-se
no êxtase mais negro enquanto bebo
o cego sofrimento de não estares aqui.

A tua ausência fala-me às escuras
e o olhar devora estas paredes,
o meu quarto vazio onde se oculta
o lume de uma estrela
pronta a morrer. A noite
chama ainda por ti dentro de mim
- sombra feita de luz,
à espera de outro sonho ou do teu próximo
sorriso.

Fernando Pinto do Amaral


setembro 12, 2008

A vida, é para ser vivida.
Mas se não for, é mais segura.


Alexandre O'Neill

setembro 11, 2008


“ Um dia pensarei que passei por ti como passam os pássaros

por este campo que há-de tornar-se seco, no inverno; e que a
primavera que vivemos não há-de voltar, ao contrário dessa
que todos os anos sucede ao inverno, trazendo consigo esses
pássaros de que me lembro ao pensar que estou sem ti, agora
que todas as viagens chegaram ao fim, e uma pausa se prolonga
até se tornar definitiva. Mas não é por pensar isso que me sinto
longe de ti: o que talvez me faça sofrer, como se o sofrimento
não fosse uma parte do amor, e se substitua a ele, quando o
tempo impõe as suas regras, e nos lembra que dependemos
de pequenas coisas para que tudo mude, de um dia para o outro,
tornando-nos outros do que fomos, embora continuemos a
sentir o que sempre sentimos. Então, dirás,
alguma coisa valeu a pena? E eu respondo que
a migração dos pássaros é um sintoma de que os hábitos
não mudam quando queremos; e a vontade dos que
querem ficar leva-os à morte, como se entre morrer e amar
houvesse um elo que não sabemos de onde vem, mas se manifesta
na melancolia de um bater de asas, sob os ramos da árvore,
quando o céu de chuva impede o voo para cima dos seus
ramos. Mesmo que peguemos nessa ave, de pouco servirá: o
seu destino foi escolhido por ela, e quando isso acontece nada
podemos fazer. Debate-se, procurando escapar aos dedos
que a prendem; e esse gesto leva-a para onde não lhe chegamos,
a não ser com o olhar, sabendo que no dia seguinte o ramo
irá ficar vazio. Assim, voltei ao café onde tantas vezes te
esperei: e não havia ninguém na mesa, como se a maldição
tivesse tomado conta do lugar. «É do inverno», disse
o patrão, «ninguém sai de casa com este tempo.» Não lhe
dei outras razões. O que eu sei, levaste-o contigo, neste
inverno em que nem os pássaros querem ficar.”

Nuno Júdice

setembro 10, 2008


meu corpo é como um poço aberto no meio do caminho;

nele alguns lavam o rosto,

lavam nele outros os pés.

herberto helder

setembro 08, 2008

Há dias que são como espaços preparados
para que tudo doa.


roberto juarroz

setembro 02, 2008

"Não preciso de amigos que mudem quando eu mudo

e concordem quando eu concordo.

A minha sombra faz isso muito melhor."


Plutarco

setembro 01, 2008

"Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho, como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei".

Fernando Pessoa

agosto 26, 2008

vou partir
como se fosses tu que me abandonasses.

Al Berto

agosto 22, 2008



Tão bons momentos passei eu ao som desta música...Ui, ui... ; p

"Now I've tried to talk to you and make you understand
All you have to do is close your eyes
And just reach out your hands and touch me
Hold me close don't ever let me go
More than words is all I ever needed you to show
Then you wouldn't have to say that you love me
Cos I'd already know"

agosto 20, 2008

Eu quase amei a forma como tu mentias

Limpando os pés ao meu sorriso

E é claro que achas que eu não presto

É claro que achas que eu não sirvo

Foi no teu amor que algo se perdeu

Foi no teu amor

Não no meu

Eu quase amei a forma como tu me vias

Logo eu amo outra pessoa

E eu não me importo se eu não presto

Eu tenho planos para lá de mim

E tu és só o que eu te empresto.


Manuel Cruz


agosto 14, 2008


lembro-me da minha mão
pousada sobre a tua
e esse instante está debaixo
da palavra solidão.

José Luís Peixoto

agosto 13, 2008

Apanha-me as migalhas, por favor. São pedaços que deixei de mim nas tuas mãos, julgando-te com uma dessas fomes danadas, de queixo aguçado e olhos saltando das órbitas. Não tens dedos delicados e humildes para numa paciência de puzzle confortares o estômago com tão miseráveis pedaços do pão que te dei. Tinha como te alimentar e te fortalecer os músculos para uma luta mais justa, agora que é tão intensa e não podes fugir dela. Tinha todas as fontes onde pudesses saciar as tuas sedes. Preferiste espalhar-me ao largo, voltar costas, com um aceno breve por cima dos ombros arrogantes. Agora não sei. Nunca soube se esse aceno era de repúdio ou se querias ainda que te pusesse a mão por baixo, como se faz aos passarinhos que aprendem os primeiros passos do voo. Nada mais a dizer. Recolhe-me por favor as migalhas, e devolve-me o corpo, traçado a dores que não quiseste compreender.


José Alexandre Ramos

agosto 12, 2008


nas tuas mãos começa o precipício


luís miguel nava

agosto 11, 2008



A indecisão sobre as férias (bem merecidas diga-se de passagem) continuava...Riviera Maia ou Cuba, Cuba ou Riviera Maia. Mas perante o concerto de ontem, vamos para Cuba ah pois vamos! Só esperamos cruzar-nos com o Yotuel Romero (o sr dos Orishas que nos dá uns calores que ai Jesus!) ou com qualquer outro cubano com sangre muy caliente!Ih ih ih ih!Venham os mojitos, os charutos e tudo a que temos direito ; )

agosto 08, 2008

big big truth

às vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas.
o tempo passa e descobrimos que
grandes mesmo eram os sonhos e
as pessoas pequenas demais para torná-los reais.

Bob Marley

agosto 07, 2008

Tenho o coração gasto....

foto de Lobo Solitário

agosto 06, 2008

O corpo não espera.não por nós
ou pelo amor.este pousar de mãos
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos
este pousar em que não estamos nós
mas uma sede, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera;este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...

tem tanta pressa o corpo! e já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.


Jorge de sena