outubro 18, 2008
outubro 17, 2008
outubro 16, 2008
que me domesticava
como a um cão faz o dono
encaravas-me como o resto
de uma refeição mal digerida
retraí os ombros
as mãos as pernas
continuei indiferente às horas
encerradas na lamúria do desejo
podia aguardar nos teus gestos
o amadurecimento das palavras
que cantei sem garganta
podia
mas não aguardei
agora
lamento apenas
que seja tão banal
o nosso amor
outubro 14, 2008
outubro 11, 2008
outubro 04, 2008
outubro 03, 2008
"Um dia... tu deixasses de existir? Como seriam os meus dias? Em que pessoa me tornaria? Como seriam as minhas noites? Sentir-me-ia desamparada?
Provavelmente sim. Os meus dias passariam devagar e o pôr do sol seria triste. Teria dificuldade em reencontrar-me e as minhas noites seriam frias e vazias... Sentiria falta dos teus abraços seguros e de te ver rir... Acharia que nunca mais seria capaz de encontrar alguém que me preenchesse tanto como tu... E tu não sabes disto.. Que o meu coração está nas tuas mãos.
Por isso, sê meigo... e faz-me sentir que não tenho que me preocupar com o que aconteceria se um dia tu não existisses."
Pois aqui vai o que penso sobre isto...
Para mim, se existe amor, existe sempre o medo de perder quem amamos. Se esse medo não existir, então é porque não é amor o que sentimos. Só faz sentido uma relação em que há o medo de perder o outro. Não estou a falar num medo constante, que perturbe em todos os momentos, nada disso.Mas o medo que nos faz olhar para o lado e sentir uma dor no peito, sentir o coração a bater mais forte, se pensamos que a “nossa” pessoa, algum dia nos pode faltar. E quando essa pessoa nos falta, dói muito... Falta-nos o ar, falta-nos o chão, perdemos o norte e levamos tempo a nos recompor, ou às vezes, não nos recompomos mais. Continuamos porque temos de continuar, por nós e por aqueles que nos amam e que também estariam perdidos se alguma vez lhes faltássemos. Mas perder alguém que amamos, perder aquele amor maior, aquele amor que, por mais pessoas que conheças, por mais corpos que sintas, por mais nomes que repitas, nunca voltar a encontrar outro que a ele se assemelhe, dói e irá doer sempre. Com o tempo tudo vai cicatrizando, a dor vai esmorecendo e os olhos deixam o chão e começam a tentar ver de novo. Mas acredito, sei, que a tal dor continua a existir no peito, mais fina, menos aguda, mais fraca, mas sempre presente, sempre que nos permitimos e temos a coragem de recordar o tal amor maior... Só nos resta então, aceitar a falta desse amor e com essa falta viver ou tentar viver outros amores.
Com a certeza, minha querida Papillon, que poderá faltar-te o tal amor maior, esperando claro, que isso nunca te aconteça, mas fica sabendo que, o meu amor, esse, nunca te faltará...
outubro 02, 2008
Como diria um amigo meu " tu és tão velhinha...", e não, não se estava a referir à minha idade ; p , mas sim ao facto de continuar presa a recordações, a cheiros, a pessoas ou à ausência delas. E a músicas. Sempre presa a músicas que em determinada altura da minha vida me disseram alguma coisa e continuam a dizer. Esta é mais uma dessas músicas. Horrorosa para alguns, de vomitar para outros, pavorosa para muitos..lol Para mim,linda.Por muitas razões...
setembro 30, 2008
setembro 26, 2008
setembro 24, 2008
Não sei adormecer: a madrugada
respira num silêncio que é o teu
silêncio, nesta febre
a arder na minha alma tão antiga.
Lá fora os astros não respondem:
as montanhas diluem o tempo e o espaço
e todo o céu começa a dilatar-se
no êxtase mais negro enquanto bebo
o cego sofrimento de não estares aqui.
A tua ausência fala-me às escuras
e o olhar devora estas paredes,
o meu quarto vazio onde se oculta
o lume de uma estrela
pronta a morrer. A noite
chama ainda por ti dentro de mim
- sombra feita de luz,
à espera de outro sonho ou do teu próximo
sorriso.
setembro 11, 2008

“ Um dia pensarei que passei por ti como passam os pássaros
por este campo que há-de tornar-se seco, no inverno; e que a
primavera que vivemos não há-de voltar, ao contrário dessa
que todos os anos sucede ao inverno, trazendo consigo esses
pássaros de que me lembro ao pensar que estou sem ti, agora
que todas as viagens chegaram ao fim, e uma pausa se prolonga
até se tornar definitiva. Mas não é por pensar isso que me sinto
longe de ti: o que talvez me faça sofrer, como se o sofrimento
não fosse uma parte do amor, e se substitua a ele, quando o
tempo impõe as suas regras, e nos lembra que dependemos
de pequenas coisas para que tudo mude, de um dia para o outro,
tornando-nos outros do que fomos, embora continuemos a
sentir o que sempre sentimos. Então, dirás,
alguma coisa valeu a pena? E eu respondo que
a migração dos pássaros é um sintoma de que os hábitos
não mudam quando queremos; e a vontade dos que
querem ficar leva-os à morte, como se entre morrer e amar
houvesse um elo que não sabemos de onde vem, mas se manifesta
na melancolia de um bater de asas, sob os ramos da árvore,
quando o céu de chuva impede o voo para cima dos seus
ramos. Mesmo que peguemos nessa ave, de pouco servirá: o
seu destino foi escolhido por ela, e quando isso acontece nada
podemos fazer. Debate-se, procurando escapar aos dedos
que a prendem; e esse gesto leva-a para onde não lhe chegamos,
a não ser com o olhar, sabendo que no dia seguinte o ramo
irá ficar vazio. Assim, voltei ao café onde tantas vezes te
esperei: e não havia ninguém na mesa, como se a maldição
tivesse tomado conta do lugar. «É do inverno», disse
o patrão, «ninguém sai de casa com este tempo.» Não lhe
dei outras razões. O que eu sei, levaste-o contigo, neste
inverno em que nem os pássaros querem ficar.”





